Mostrar mensagens com a etiqueta Política Nacional. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Política Nacional. Mostrar todas as mensagens

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Do Rato e dos homens

Por Fernanda Câncio, no DN

  Não fossem os portugueses ainda com emprego ficar mesmerizados com os recibos do ordenado de janeiro, o PS encenou, esta terça-feira, um grandioso espetáculo no Rato. Coisa shakespeariana: um rei fraco rodeado de lugares-tenentes aos gritos de deslealdade e conspiração ante o anúncio de uma pretensão ao trono, uma reunião à porta fechada e um final em que o monarca, depois de chamar e deixar chamar tudo a quem possa pô-lo em causa, abraça o concorrente que não chega a sê-lo e assume o compromisso de com ele trabalhar em prol da união do reino. 

 Em Shakespeare, como em geral, o pano nunca cai depois de uma cena destas. É só o princípio da intriga e de sangrentas congeminações que inevitavelmente nos revelam a natureza das personagens e da sua relação com o poder. E que sabemos nós das personagens? Comecemos pelo rei. Há um ano e meio no trono, não só tarda em mostrar o seu projeto e valor no campo de batalha como se rodeia de uma corte apagada e sem chama que, na noite de terça, mostrou também (com raras exceções, como a de Zorrinho) ser vil.

É um monarca que não hesita em recorrer ao insulto, à ameaça e a insinuações de conspiração - chama desleais aos que com ele não concordam e que o consideram inadequado, fala ou deixa que por ele falem de "limpar o partido e o grupo parlamentar" (atribuído pela SIC, na noite de terça, à direção socialista), acusa quem o defronta de "querer regressar ao passado", dando alento aos boatos que dizem ser o rei anterior a comandar, do exílio, a sublevação. 

Para, numa entrevista na noite seguinte, fazer de magnânimo e amnésico, cumulando de elogios o adversário da noite transata. Quanto a este, alcaide valoroso e respeitado, com legítimas aspirações ao trono, renunciou a bater-se por ele quando ficou livre. Desde a coroação, porém, não perde uma ocasião de demonstrar o seu desagrado e até desprezo pelo ora rei. Era, pois, previsível que aglutinasse a esperança dos que consideram estar o reino mal dirigido e veem nele a esperança da vitória contra o inimigo e a salvação do povo.

 Como explicar, pois, que na famosa noite, quando todos esperavam que se perfilasse como candidato ao trono - o que só pode decorrer do facto de o ter confirmado aos próximos - se tenha ficado? Faltou-lhe a coragem, as ganas? Percebeu que não estava garantida a vitória e só quer arriscar não arriscando? Habituou-se ao conforto de criticar, na sua cátedra da SIC, sem correr o risco de provar que sabe e quer fazer melhor? Sentiu-se traído, na hora H, por aqueles de quem esperava apoio? Ou, como alguns aventam, recuou para tomar balanço, fazendo do recuo (o acordo da união) repto? Seja qual for a resposta certa (senão todas), sabemos, como sabem os protagonistas, isto: que na noite de terça algo se partiu no PS, e não há pantomina de união que o disfarce. 

O trono pode ter sido segurado, mas o reino está longe de seguro.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Nem o vento de Sábado desviou as pessoas do Monte do Sobral


Nem o mau tempo que se fez sentir durante o dia de sábado, desmobilizou do jantar convívio, muitos dos apoiantes do actual projecto autárquico

Parabéns à Concelhia do Partido Socialista de Viana do Alentejo, e ao Movimento Unidos pelo Concelho de Viana do Alentejo, pela organização deste encontro, e pelo bom momento de convívio e reflexão que proporcionaram a todos os presentes no  Monte do Sobral.

O Monte do Sobral estava abarrotar de gente animada com a política local, mas ao mesmo tempo preocupada com a situação política nacional, que está a afectar negativamente, de uma forma ou de outra, a vida da maioria dos portugueses.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Política à Portuguesa



Desde o golpe de estado do 25 de Abril que este nosso jardim à beira mar colapsado tem sido governado (?), não pelo PS, tão pouco pelo PSD/CDS, mas sim pelo Centrão. A matéria-prima é fornecida pelas mesmas elites, amigos que frequentam as mesmas escolas e se fazem homenzinhos no interior dos aparelhos dos partidos, são os famosos boys. Neste momento, com o inestimável contributo do PCP, estão lá os amigos do PSD/CDS.

Escreve Ricardo Costa no Expresso de 14 de Janeiro “Há vários anos que o PS e o PSD são partidos estruturalmente iguais. Têm os mesmos tiques, organizações parecidas, clientelas que se misturam e um sentido de apropriação do estado que é rigorosamente igual, da mais pequena freguesia à mais disputada cadeira empresarial.”… Não podia estar mais de acordo.

Se o governo da nação é coutada exclusiva do Centrão, nas autarquias o PCP, através da capa mistificadora CDU, vai ainda arrebanhando uns concelhos. E também ele e os seus boys - que também os tem - se deixam frequentemente vencer pela tentação da apropriação do estado, em favor do partido, dos seus negócios e interesses pessoais.

Com a morte das ideologias, comunismo, capitalismo, socialismo e o que restava da democracia foram, no virar do século, definitivamente enterrados. Abriu-se então uma janela de oportunidades para toda uma classe de chicos-espertos que canibalizaram os partidos políticos, todos e sem excepção.

A nível nacional toda esta gente não passa de peões, marionetas dos grandes grupos económicos. A nível local, pouco mais são que anónimas partículas de pó, pousadas sobre o tabuleiro onde se desenrola o Grande Jogo.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&hl=pt-PT&v=pGEtvl4-238

Comentário de anónimo aqui

domingo, 9 de outubro de 2011

O comportamento eleitoral de um cliente da Barberia Ideal


É mesmo verdade, não me recordo exactamente quantas vezes votei CDU, mas quando era mais novo, muitas foram as ocasiões em que me deixei ir nesse engano de que o voto é uma arma com a qual construímos a democracia e forjamos o nosso futuro. Hoje já não estou tão certo disso.

No passado, Hitler foi eleito democraticamente pelo voto dos Alemães; este fim-de-semana, essa nódoa para este País, que é o Alberto João Jardim, com ou sem maioria, vai ser reeleito pelos madeirenses. Se a democracia estivesse bem viva, há muito que o senhor teria sido afastado, os Isaltinos estavam mais que presos e o cara de pau do Cavaco e Silva nunca teria chegado (pelo menos não teria sido reeleito), a presidente da República. As ideologias já lá vão, morreram e estão bem enterradas.

Se é verdade que votamos sempre no sentido da defesa dos nossos interesses directos, a rigor, quando o fazemos estamos a sancionar o sistema que nos levou à grave crise em que caímos. A democracia está a precisar de obras.

Eram os meus filhos crianças quando cortei com a minha vida político-partidária. Entendi que em vez de andar a vender revoluções aos outros, melhor era que tratasse de as fazer primeiro em minha casa, com a minha família. E assim fiz, só não rasguei o cartão do partido porque nunca fui filiado em nenhum.

Ao longo dos anos fui votando ao sabor da minha sensibilidade e dos meus interesses. Votei CDU, votei PS, votei PSD. Mas não votei em partidos, muito menos em ideologias, votei sempre em pessoas. Só as pessoas fazem a diferença.

No meio deste meu pessimismo crónico, há no entanto sinais de que podemos ainda ter esperança no ser humano. Cá na nossa querida ilha, os ilhéus, cansados de serem enganados com quinquilharia, resolveram nas últimas eleições correr com o nosso Alberto João Jardim, personagem que a exemplo da outra, bem contribuiu para alimentar o monstro do défice. Estamos todos nós agora a pagar o calote que este tipo de gente nos espetou.

PS
Não tenho nenhuma varinha mágica, tão pouco sou bruxo para saber o que é que as pessoas percebem ou não, certo é que não me chamo Pacheco.

Comentário de anónimo "aqui"

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Água: Municípios alentejanos querem renegociar com Governo parceria pública “em risco” com eventual privatização da Águas de Portugal

Uma associação de 21 municípios alentejanos quer discutir com a ministra do Ambiente uma proposta de renegociação da sua parceria pública com o Estado, que pode estar “em risco” com a eventual privatização da Águas de Portugal (AdP).

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Municípios para a Gestão da Água Pública (AMGAP) disse hoje que a associação vai pedir uma reunião à ministra do Ambiente para discutir uma “proposta de renegociação da parceria”, porque as circunstâncias atuais são “completamente diferentes em vários pontos de vista” das que existiam quando a parceria foi celebrada.

A eventual privatização da AdP e o futuro da parceria, entre outras questões, serão discutidas na reunião, disse José Maria Pós-de-mina, que admitiu que a privatização total ou da maioria do capital da AdP pode pôr “em risco” a parceria com o Estado.

Através da parceria, a AdP, em representação do Estado, e a AMGAP, criaram em 2009 a empresa Águas Públicas do Alentejo para melhorar e gerir o abastecimento em alta e o saneamento de águas residuais nos concelhos parceiros.

A empresa, integrada no setor empresarial do Estado, é detida em 51 por cento pela AdP e em 49 por cento pela AMGAP, que é formada por 14 municípios do distrito de Beja, quatro de Évora e três de Setúbal.

“A parceria é entre o Estado e os municípios” e o contrato define que se um dos parceiros for privatizado “a parceria caduca”, disse, referindo que o futuro da parceria vai “depender” do tipo de privatização da AdP e da “vontade política do Governo”.

Segundo o também autarca de Moura, “o problema colocar-se-á se houver uma privatização total ou da maioria do capital da AdP” e se o Estado não tiver interesse em continuar a parceria.

“Se houver vontade política do Governo em manter esta figura do contrato de parceria pública, a parceria poderá manter-se independentemente do que acontecer com AdP”, já que “o Estado pode substituir a AdP por outra entidade pública”, explicou.

Caso contrário, a parceria caduca e a Águas Públicas do Alentejo passa para a propriedade da AMGAP, que continuará a melhorar e a gerir o abastecimento em alta e o saneamento de águas residuais nos 21 concelhos parceiros “nos termos do contrato celebrado”.

O problema “não se coloca” se a privatização da AdP for inferior a 50 por cento do capital, porque a empresa continuará a fazer parte do setor empresarial do Estado e pode representá-lo na parceria, explicou.

Segundo o autarca, o problema também “não se coloca” se a privatização da AdP “não for feita ao nível da SGPS, mas das subsidiárias”, porque a Águas Públicas do Alentejo “não é passível de privatização”.

“Tem que haver prudência na matéria”, porque “não se pode criar nenhum cenário que ponha em risco a concretização dos investimentos” previstos, que “são indispensáveis e terão que ser concretizados nos próximos anos”, como os da candidatura que envolve “verbas significativas” e será financiada pelo Fundo de Coesão da União Europeia.

O autarca disse que os municípios querem que a parceria continue e defendeu que “devem ser criadas as condições” para que tal aconteça, porque “o setor público tem um papel fundamental na gestão da água”.

"Sapo"

sábado, 25 de junho de 2011

O discurso do poder interiorizado



Foto tirada na Barbearia

Pacheco Pereira. Blog Abrupto.

Mas que bom o novo governo ter Isto e não Aquilo. Mas se o novo governo tivesse Aquilo em vez de Isto, que bom seria ter Aquilo e não Isto. E por aí adiante. Elogia-se a importância do que se pensa que há, esconjura-se a irrelevância, mesmo o malefício, daquilo que não há. Se fosse ao contrário, elogiava-se na mesma.

Como o governo é novo de idade, valoriza-se a juventude. Se fosse um pouco mais velho, valorizava-se o mix de gente nova com homens experimentados. Se fosse ainda mais velho valorizar-se-ia a experiência de gente com gravidade que aceitou, num período de dificuldades, servir o país. O poder de atracção do Primeiro-ministro estaria em todas as análises. Se tivesse mais políticos valorizar-se-ia a experiência da causa pública, como tem mais técnicos, valoriza-se o saber especializado. Se fossem do “meio” elogiar-se-ia conhecerem “os cantos da casa”, como não são do “meio” valoriza-se a ruptura com os maus hábitos instalados. Etc., etc.

Ouvem-se comentários sobre comentários e para além da mais piegas adoração da “situação”, para além do wishfull thinking, podia passar o dia todo e a Sábado toda com este tipo de ladainha que é o discurso do poder interiorizado. Mas que balofice nacional que nos assaltou!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

PPD/CDS: Um presente envenenado para Fernando Nobre



Saúde e Segurança Social para Nobre

Fernando Nobre poderá ficar com a pasta da Saúde, entre outros encargos, no novo governo constituído por PSD e CDS-PP, avança o Correio da Manhã.

O antigo candidato à presidência da República continua a ser um dos pontos em que os dois partidos discordam, e uma vez que a candidatura a presidente da Assembleia da República não é bem aceite por nenhuma das partes, Passos Coelho avança com uma alternativa.

O líder do PSD propôs a Paulo Portas que seja atribuído um cardo especial a Fernando Nobre, uma espécie de 'super-pasta' dos Assuntos Sociais, ficando com a tutela da Saúde (e consequentemente do ministério) e da Segurança Social, possibilidade que não rejeita.

Ambos os assuntos lhe são caros, médico que é, e presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), e grande defensor dos assuntos sociais, nomeadamente o crescente desemprego, como demonstrou na sua candidatura à presidência da República.

Visto em "A Bola"

sábado, 11 de junho de 2011

"Todos ao tacho, todos ao tacho!", grita-se do megafone

Uma responsável regional do CDS-PP disse aos militantes do seu partido que devem correr atrás dos lugares de confiança política, porque merecem. 


“Este é o momento…de se correr atrás de lugares…” assinalou ontem Sílvia Ramos, presidente da distrital de Beja do CDS-PP, aos microfones da emissora local, Rádio Pax. O CDS-PP premeia "pelo esforço e pelo mérito". Ser militante do CDS, só por si, é um mérito. Um tachito para cada centrista e um quilo de arroz para cada pobre. Um país feliz.


Direita dos negócios

Afastado há muitos anos do poder, o PSD deixou de ser dirigido por políticos profissionais, a tempo inteiro, para passar a ser dirigido por políticos em part time, onde a cada pronúncia pública se adivinha o banqueiro, o empresário, o gestor, o consultor de negócios, o advogado de negócios.

De facto, porventura sem paralelo noutras geografias, o PSD assemelha-se muito a um conselho de administração político do mundo dos negócios. Ao saber ouvi-los, fica sempre a dúvida sobre saber se quem fala é o político ou o homem de negócios, representando os seus interesses próprios...

Por Vital Moreira

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Uma esquerda à deriva

«A pergunta, dirigida aos partidos da extrema-esquerda parlamentar, impõe-se: quanto pior, melhor? Se era isto que pretendiam o BE e o PCP, ao colaborarem com os partidos da direita no derrube do governo do PS, Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa bem podem limpar as mãos à parede. Fizeram um lindo serviço.

«A história repetiu-se 35 anos depois. Já em 1976, os mesmos "irmãos inimigos", PCP e UDP (hoje escondida no BE), juntaram os seus votos aos do PPD e do CDS para derrubar o primeiro governo do PS. (...)

«Nada disto pode isentar de responsabilidades a governação do PS nestes últimos seis anos. Uma governação cujas políticas públicas foram condicionadas desde o início pelos dogmas neoliberais. Uma governação caracterizada, nos últimos três anos, pela incapacidade de previsão de um ministro das Finanças que, entretanto, se desvaneceu no éter, mas em breve irá ressurgir como herói, para enriquecer a galeria dos 18 geniais ministros das Finanças que o antecederam. (...)

«José Sócrates saiu bem. E saiu-se bem no seu discurso de renúncia ao poder, na desoladora noite eleitoral. A vacuidade prazenteira do vencedor só o ajudou. Tal como a cegueira política evidenciada pelos chefes da extrema-esquerda. Jerónimo de Sousa está muito "contentinho da silva" porque o PCP conquistou mais um deputado - e a derrocada da esquerda pouco lhe importa enquanto a longevidade dos seus militantes lhe garantir o estatuto de Astérix na pequena aldeia comunista. No BE, entre a patética Aiveca, a abrir a noite pós-eleitoral, a sisuda Drago, a botar sentenças, e o perspicaz Louçã, a reconhecer a derrota (o BE cai de 16 para 8 deputados), grita-se: "A luta continua!", mas o partido vai mergulhar numa "reflexão profunda", porventura tão profunda como o abismo para onde o BE ajudou a empurrar uma esquerda cada vez mais à deriva.

«Derrotado sem apelo por uma abstenção inacreditável (41,1 %), pela irresponsabilidade da extrema-esquerda e pela incapacidade para gerir esta gravíssima crise, o PS tem agora pela frente uma longa travessia do deserto em busca da recuperação política e ideológica. Tal como Cavaco durante os dez anos em que chefiou o PPD, também Sócrates se comportou, no PS, como um eucalipto que seca tudo à sua volta. Proliferam hoje, no aparelho partidário, jovens burocratas, tecnocratas e oportunistas, sem convicções e com muita ambição, que estão dispostos a servir quem não ponha em causa os seus pequenos poderes. Esse vai ser o maior obstáculo à regeneração política e ideológica do PS.

«Quanto à direita, a maioria absoluta que conquistou, em coligação pós-eleitoral (PPD-CDS), permite-lhe tentar pôr em prática as receitas letais da troika FMI-BCE-UE, e até ir mais longe na ânsia de privatizações e desmantelamento do Estado já demonstrada pelo discípulo do engenheiro Ângelo Correia que nos coube em sorte. Só falta mesmo que reapareçam Catroga e Leite Campos, para nos tratarem da saúde financeira e fiscal. Aguentem-se à bronca, cidadãos, que isto vai doer muito!

por Alfredo Barroso, comentador político
Publicado no "i" em 7 de Junho de 2011

domingo, 22 de maio de 2011

Ainda o debate

A direita parece ter Pedro Passos Coelho em muito má conta. Ontem (sexta-feira), sentiu-se na tralha que se arrasta a “comentar” nas televisões um profundo alívio no fim do debate: o líder do PSD não tinha perdido com Sócrates (e alguns tiveram o descaramento de dizer que havia vencido). Patético. Para fundamentar as suas posições, a alguns desses “comentadores” só faltou perguntar se alguém tinha visto Pedro Passos Coelho a fugir do estúdio para se esconder atrás Relvas, esse outro expoente do passismo.

Ou então sou eu que devo ter perdido alguma parte do debate. É que eu vi Sócrates a levar às cordas um impreparado Passos Coelho, que se revelou incapaz de justificar as medidas radicais que defende no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS), vi Sócrates a desmontar a selvajaria que se esconde nas medidas do PSD para o emprego, vi Sócrates a mostrar que Passos também entendia que a crise internacional tivera um efeito devastador sobre uma pequena economia como é a portuguesa, vi Sócrates a explicar como o chumbo do PEC 4 tinha obrigado ao pedido de ajuda externa (que as agências de rating na altura sublinharam), vi Sócrates a pôr em evidência a forma perniciosa como o PSD se comportou nesta situação difícil que o país atravessa (de que as cartas abertas de Catroga para a troika são um mero exemplo).

Perante isto, que fez Passos Coelho? Para além de umas frases coladas com cuspo, quando pôde, mudou de assunto; quando não o conseguiu, baralhou tudo, como aconteceu com os “co-pagamentos” na saúde, escamoteando que eles não existem até agora no SNS.


sábado, 21 de maio de 2011

Capoulas Santos apela a voto de "esquerda pragmática" no PS

Monsaraz - Dominando a extensa albufeira da Barragem de Alqueva

Évora, 21 mai (Lusa) -- O presidente da Federação Distrital de Évora do PS, Capoulas Santos, apelou hoje ao "voto da esquerda pragmática" e da "esquerda responsável" nos socialistas nas legislativas de 05 de junho, considerando que existe um Alentejo "antes do PS e depois do PS".

"O voto da esquerda no Alentejo, da esquerda pragmática, da esquerda responsável que nos defende é o voto no PS e é por isso que muitos dos eleitores que antes votaram na CDU e no Bloco de Esquerda têm vindo a apoiar em maior numero o PS. É a eles que também apelo para que Portugal no dia 06 de junho não tenha mais um governo contra o Alentejo e os alentejanos", disse, num comício no centro de Évora.

Considerando que "votar neste PSD é votar no escuro, na inexperiência e na impreparação", o antigo ministro da Agricultura desfiou depois um conjunto de críticas ao maior partido da oposição, que considerou "trauliteiro, intolerante e demagógico, que não hesita em denegrir o nome do país" dentro e fora de Portugal.

© 2011 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Manual para perder eleições

Os Patinhos



Se há uns meses alguém me viesse dizer que José Sócrates voltaria a ser primeiro-ministro, responderia que era louco e que só podia estar a gozar comigo. Porém, nos últimos tempos têm-se acentuado os sinais de incompetência do maior partido da oposição.

Não é preciso ser nenhum génio da ciência política para saber que as eleições não são ganhas pelos partidos que não estão no poder. São os governos que as perdem. E o actual tem tudo para ser derrotado. Em menos de dois anos, o défice disparou para níveis proibitivos, o desemprego cresceu para valores nunca vistos, os impostos não têm parado de aumentar, inúmeras promessas feitas em campanha foram metidas na gaveta e, para culminar esta trajectória quase apocalíptica, foi obrigado a pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional e à União Europeia para evitar a humilhação da bancarrota.

Perante este quadro negro, ao PSD, diriam os magos da comunicação eleitoral, bastava fazer-se de morto e esperar que a inevitável derrota do PS acontecesse. Mas Pedro Passos Coelho decidiu trocar as voltas, inclusive às sondagens, que chegaram a dar-lhe mais de dez pontos de vantagem sobre os socialistas. Logo no dia seguinte a, com a restante oposição, ter feito cair o Governo, o PSD começou a disparar para os próprios pés. E Passos Coelho foi quem deu o primeiro tiro, ao admitir aumentar o IVA, depois de ter usado, para chumbar o PEC IV, argumentos como o de este prever um aumento da carga fiscal.

Depois vieram as recusas dos cavaquistas em entrar nas listas e o convite a Fernando Nobre para encabeçar os candidatos por Lisboa, sob condição de vir a ser presidente da Assembleia da República. A trapalhada à volta do ex-candidato presidencial, alérgico aos partidos "sacos de gatos onde cabem todos" - que entrou a dizer que se não for presidente do Parlamento renuncia ao mandato de deputado -, não somou, antes dividiu, o PSD e obrigou o seu principal parceiro, Paulo Portas, a dizer que não contem com o voto do CDS para esta eleição.

Como se não fossem já tiros suficientes, ficou ainda a saber-se, pela boca do próprio presidente do PSD, que, afinal, na véspera de levar o PEC a Bruxelas, Sócrates não se limitou a um telefonema. Chamou-o a São Bento para uma reunião de várias horas, em que ambos se comprometeram com um "pacto de silêncio" que haveria de ser pedido também por SMS aos deputados do PSD, para que as negociações do Governo não fossem prejudicadas em Bruxelas.

E, quando se pensava que já não havia mais pés para dar tiros, eis que vão sendo conhecidas as sugestões do movimento "Mais Sociedade" - uma espécie de estados-gerais do PSD, que sugere, por exemplo, a penalização nas pensões de reforma a quem recorra ao subsídio de desemprego -, que ora são contributos para o Programa Eleitoral do partido, que tarda em aparecer, ora não o são. Isto é, permitir que ideias avulsas sejam conhecidas e que, inevitavelmente, vão contaminando as propostas que hão-de ser sujeitas ao voto dos eleitores, sem que se perceba aquilo que é para levar a sério e o que não é, e que no fim soará sempre a um qualquer recuo, faz passar uma imagem de impreparação inaceitável a cinco semanas das eleições.

As sondagens são hoje o reflexo disso mesmo. PS e PSD estão, a cada estudo que é publicado, mais próximos um do outro. E, a continuar assim, ainda ficaremos todos de boca aberta se nos próximos tempos, e depois de tudo o que aconteceu, o PS se atrever a surgir à frente do PSD.

Se não arrepiar caminho, Passos Coelho arrisca-se a ficar para a história como o "quase primeiro-ministro". E José Sócrates a ser olhado pelo valor facial do slogan eleitoral do brasileiro Tiririca: "Pior do que está, não fica!"

Da qualidade das leis

Não é inédito o Tribunal Constitucional (TC) considerar inconstitucional legislação produzida na Assembleia da República. Porém, o chumbo pelo TC da revogação da avaliação dos professores aprovada por toda a oposição não pode deixar de nos interpelar, mais uma vez, sobre a qualidade do que se vota no Parlamento. Sendo esta matéria de relevo absoluto, e que mexe com a vida de milhares de cidadãos, não se compreende como é que na câmara legislativa não se pugna pela excelência. Só pelo oportunismo eleitoral.

Por Nuno Saraiva no DN

sábado, 23 de abril de 2011

PS cresce, PSD afunda-se, CDS baralha contas


Estudo da Eurosondagem prova crescimento do PS, que se aproxima do PSD e fica a escassos quatro por cento. Um dia depois de outra sondagem colocar os partidos em empate técnico, confirmam-se as tendências de crescimento de Sócrates e de quebra de Passos Coelho. O CDS surge bem colocado e Nobre é chumbado por uma grande maioria.
Os números da Eurosondagem anteveem uma vitória do PSD, mas as eleições só se realizam dentro de seis semanas. E é de tempo que importa falar, porque com o tempo os socialistas estão a aproximar-se dos sociais-democratas, em todos os estudos de opinião das empresas deste ramo.

Na mais recente sondagem, feita para a SIC, Expresso e Rádio Renascença, o PSD surge com 36,3 por cento, enquanto o PS consegue 32,7. No barómetro da Eurosondagem, há uma aproximação dos dois principais partidos, fruto de uma queda de Passos Coelho e de uma subida de Sócrates.

Mas esta pesquisa permite uma conclusão: graças aos 11,3 por cento que o CDS de Paulo Portas alcança, a Direita fica com quase 48 por cento dos votos, muito próximo, portanto, da maioria absoluta. E este dado pode fazer toda a diferença. É que está a ganhar força a probabilidade de resultar um Governo minoritário, nas eleições de 5 de junho. E o CDS, como terceira força partidária e a crescer, pode baralhar as contas.
A sondagem foi realizada entre 14 a 19 de abril, depois de quatro fenómenos políticos que podem determinar uma intenção de voto: a demissão do Governo, a entrada do FMI e a escolha de Fernando Nobre por parte do PSD para integrar as listas. O congresso socialista também pode ter sido um bom tónico para chamar votos.

A demissão de Sócrates foi aproveitada pelo PS para colocar sobre os ombros de Passos Coelho a culpa da entrada do FMI. As medidas de austeridade que se aguardam, mais duras do que o PEC 4, não agradarão aos portugueses. Por outro lado, a escolha de um independente líder de um movimento de cidadania para as listas do PSD não foi bem acolhida, sequer, nas hostes sociais-democratas.

Com estes factos, Sócrates parece estar em crescendo, abafando os dois partidos à sua esquerda, que não ganham com o desgaste de um primeiro-ministro demissionário. A CDU desce para 7,8 por cento e o Bloco de Esquerda fica-se pelos 6,9 pontos percentuais. Ambos descem.

Nesta sondagem, os inquiridos foram questionados sobre a escolha de Fernando Nobre e 56,9 não compreendem a decisão do independente em aceitar o convite de Passos Coelho. Pior: 68 por cento não vê com bons olhos Nobre na sucessão a Jaime Gama, como presidente da Assembleia da República. E há 63 por cento que discordam da decisão de Passos em chamar o médico presidente da AMI.

O estudo da Eurosondagem indica que, apesar de se manter na frente, Passos Coelho terá cometido erros políticos que podem custar-lhe uma vitória... É que há menos de um mês, conseguia uma distância esmagadora, com 46 por cento, enquanto Sócrates se ficava pelos 24...

Ciberjunta

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Lendo a sondagem da Marktest: o PSD tem um problema, que partilha com o país

As sondagens e inquéritos de opinião valem o que valem. Sobretudo numa época como a destas eleições antecipadas, valerão menos os números que as mensagens. Sendo claro: penso que o peso da campanha para as legislativas de dia 5 de Junho será menor que em situações normais, ganhando relevância o momento decisivo, que é o confronto com a boca da urna.

Dito isto, penso ser inequívoca a leitura da sondagem da Marktest ontem publicada que dá ao PS a vitória por 1 ponto percentual, com uma recuperação de 11 pontos.
A leitura é esta. O PSD tem um problema inesperado. Chama-se Passos Coelho. A sua forma de estar e comunicar tem constituído uma desilusão. Não há forma de ver nele o líder capaz de entusiasmar o eleitorado e provocar uma onda laranja irresistível. Abre demais a boca, confundindo-se com o pretenso rival em vez de se distanciar dele. Na elaboração das listas de candidatos deu ao partido uma aura de pungente amadorismo.

Talvez não apenas aura: chamar figuras mediáticas para abrilhantar listas vá que não vá, colocá-las no topo só pode ser fruto de uma inexperiência tão insuspeitada quanto demonstrada. Nobre e Capucho são a face visível de uma desmobilização e descaracterização social-democratas que, pelas mãos de Passos Coelho, está a decorrer a um nível mais profundo no PSD.

Quando fala para as elites neo-conservadoras, Passos não se sai mal. Mas o PSD profundo (de alto a baixo) desconfia dele em surdina. E a principal massa do eleitorado — a massa trabalhadora dependente — não simpatiza com as suas falinhas mansas e discurso chapa-quatro.
De resto, há um mês já tinha calculado que o erro político de provocar eleições antecipadas se poderia voltar contra ele precisamente porque se equivocou, confundido a crise que assola a Europa (e, vá lá, o sistema político-financeiro global) com um assunto doméstico (ler: a berbintice de Passos e a política copy-paste).

Assim, o país tem um problema. Os tempos recomendam um governo de consenso alargado, um bloco central (preferencialmente sem o CDS a aumentar o ruído, mas dependendo do que ditar a divisão de votos à direita). Nisso toda a gente concorda. O problema é que o PSD — o PSD de Passos e Miguel Relvas — tem dito, reafirmado e repetido que só está disponível para uma coligação governamental com José Sócrates de fora.

Os sinais subentendidos na sondagem de ontem aconselham à mudança discursiva. Sob pena de o PSD ter de encontrar internamente gente profissional, para quem o diálogo e a negociação — duas essências democráticas — não sejam motivo de infantil birra.
“Só jogo se for o capitão da equipa” é uma frase que não se espera ouvir fora do recreio do ensino secundário. Muito menos dita por quem nunca sequer jogou.
Se o eleitorado determinar que Sócrates joga a avançado, para haver jogo o PSD terá de sentar Passos no banco e promover um reservista. Não haverá outra solução.

Escrito por "Paulo Querido"


Popularidade de Passos Coelho cai a pique e Sócrates recupera

Entre Março e Abril a imagem positiva do líder do PSD recuou oito pontos, a do primeiro-ministro subiu três.

No último mês não foram apenas as intenções de voto que mudaram, mudou também a forma como os portugueses avaliam o comportamento dos principais líderes políticos.

Pedro Passos Coelho sofreu um rombo na sua popularidade: aumentou substancialmente o número de opiniões negativas (15 pontos percentuais) e caíram as positivas (oito pontos percentuais) o que provocou um recuo de 30 pontos no saldo final. A crise política, a dissolução do Parlamento e o pedido de ajuda internacional efectuado pelo Governo penalizaram o líder da oposição que recusou viabilizar o PEC IV que os socialistas colocaram a votos no Parlamento a 23 de Março. Se isolarmos a avaliação do líder do PSD por idades e por classe social é nos jovens que alcança o pior resultado (entre os 18 e 34 anos 60% dos inquiridos têm uma imagem negativa de Passos Coelho), o mesmo acontece com as classes com maior capacidade financeira: na média alta o número de opiniões negativas está nos 57%, enquanto na classe baixa se situa no 52%.

Visto em "Económico Sapo"

Barómetro da Marktest coloca PS à frente do PSD por um ponto


"Este estudo foi realizado no passado fim-de-semana, uma semana depois do congresso do PS em Matosinhos, do anúncio de Fernando Nobre como cabeça de lista do PSD por Lisboa e com os técnicos do FMI, do BCE e da Comissão Europeia já em Portugal a dar os primeiros passos para o resgate financeiro do país."

Força, Passos, estás quase a conseguir o impensável. Com um bocadinho mais de esforço, com esses cérebros todos a trovejar, talvez ainda seja possível ser ultrapassado pelo PP. Há que acreditar e continuar o bom trabalho.
Credo, que tamanha ineficácia até arrepia; vale o case-study para a posteridade (a haver posteridade, claro).

Visto em "Pegada"

sexta-feira, 15 de abril de 2011

As patranhas de Passos Coelho


La Cucaracha_Helmut Lotti

Depois de uma primeira mentira, transformando uma reunião de horas num telefonema lacónico, surge uma segunda mentira: o silenciamento do SMS enviado aos deputados do PSD, que revela que o chumbo do PEC 4 foi uma decisão tomada após o ultimato de Marco António a Passos Coelho: ou provocas eleições no país ou tens eleições no PSD.

No programa 'Quadratura do Círculo', Pacheco Pereira revelou que no dia em que José Sócrates estava a negociar em Bruxelas o PEC4, na cimeira de 11 de Março último, todos os deputados do PSD receberam um SMS em que se dizia: "Não façam nenhuma declaração até logo à noite sobre a cimeira europeia".

Alguns deputados, contou Pacheco Pereira, quiseram saber a razão de ser desta ordem e foi-lhes dito que era para "não prejudicar as negociações do Governo em Bruxelas e para que o PS não viesse a usar isso como arma".

Recorde-se que tudo isto aconteceu um dia depois do primeiro-ministro, antes de partir para Bruxelas, ter telefonado ao líder do PSD, Passos Coelho, para que se deslocasse a S. Bento.

Durante a reunião, José Sócrates apresentou ao chefe do maior partido da oposição o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) 4 que haveria de levar, no dia seguinte, à cimeira europeia

DN

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Fernando Nobre: quanto custa um vaidoso?


Hino da Campanha Presidencial de Fernando Nobre 2011

Fernando Nobre vai ser cabeça de lista do PSD no circulo de Lisboa. Contra um homem de convicções - mesmo que não sejam as minhas - como Ferro Rodrigues, o PSD aposta num ziguezagueante populista. O ex-candidato estava no mercado e Passos Coelho pagou o preço que lhe foi pedido: dar-lhe a presidência da Assembleia da República. As contas foram de merceeiro: Nobre vale 600 mil votos. Errado. Se os votos presidenciais nunca são transferíveis para legislativas, isso é ainda mais evidente neste caso. Todas as vantagens competitivas de Nobre desapareceram quando ele aceitou este lugar. 

O PSD vai perder mais do que ganha. Porque este convite soa a puro oportunismo. Porque quando Fernando Nobre começar a falar o PSD vai ter de se virar do avesso para limitar os danos. Porque a esmagadora maioria dos eleitores de Nobre nem com um revólver apontado à cabeça votará em Passos Coelho. Porque ele afastará eleitorado que desconfia de gente com tanta ginástica política.
Quem também não fica bem na fotografia é Mário Soares, que, na última campanha, por ressentimento pessoal, alimentou esta candidatura. Fica claro a quem ela serviu. Agora veio o agradecimento. 

Quanto a Fernando Nobre, é tudo muito banal e triste. Depois da campanha que fez, este é o desfecho lógico. Candidatos antipartidos, que tratam todos os eleitos como suspeitos de crimes contra a Pátria - ainda não me esqueci quando responsabilizou Francisco Lopes pelo atual estado de coisas, apenas porque é deputado - e que julgam que, por não terem nunca assumido responsabilidades políticas, têm uma qualquer superioridade moral sobre os restantes acabam sempre nisto. A chave que usam para abrir a porta da sala de estar do sistema é o discurso contra o sistema. Não querem "tachos", dizem eles, certos de que todos os eleitos apenas procuram proveitos próprios. Eles são diferentes. Depois entram no sistema para mudar o sistema, explicam. E depois ficam lá, até vir o próximo com o mesmo discurso apontar-lhes o dedo. É tudo tão antigo que só espanta como tanta gente vai caindo na mesma esparrela. 

Quem tem um discurso sem programa, sem ideologia, sem posicionamento político claro e resume a sua intervenção ao elogio da sua inexperiência política tem sempre um problema: só é diferente até perder a virgindade. E quando a perde fica um enorme vazio. Porque não havia lá mais nada. Porque a política não se faz de bons sentimentos, faz-se de ideias, projetos e programas políticos. Ideias, projetos e programas que resultam do pensamento acumulado pela experiência de gerações, que se vai apurando no confronto e na tentativa e erro. A tudo isto chamamos ideologias. Quem despreza a ideologia despreza o pensamento. Quem despreza o pensamento despreza a política. Quem despreza a política dificilmente pode agir nela com coerência e dignidade. 

Para além do discurso contra os políticos, este político teve outra bandeira: as suas preocupações sociais. Nada com conteúdo. Para ele bastava mostrar o seu currículo de ativista humanitário. E a quem aceita ele entregar a sua virginal e bondosa alma? Ao candidato a primeiro-ministro mais selvaticamente liberal que este País já conheceu. Não sou dos que acham que toda a gente tem um preço. Mas ficámos a saber qual é o de Fernando Nobre: um lugar com a dimensão da sua própria vaidade. 

Tudo isto tem uma vantagem: é uma excelente lição de política para muita gente. Quem diz que não é de esquerda nem de direita, quem tem apenas a sua suposta superioridade moral como programa e quem entra no combate político desprezando quem há muito o faz nunca é de confiança. Um dia terão que se decidir. E Nobre decidiu-se: escolheu a direita ultraliberal em troca das honras de um lugar no Estado. Na hora da compra, os vaidosos têm uma vantagem: saem mais baratos. Não precisam de bons salários ou de negócios. Basta dar-lhes um trono e a sensação de que são importantes. Vendem a alma por isso.

Por Daniel Oliveira no Expresso

Fernando Nobre: "Partido político? Nunca!"

Na primeira entrevista depois das eleições presidenciais, Fernando Nobre garantiu que não ia aceitar cargos partidários. Recorde essas imagens.




Há um mês, Fernando Nobre era peremptório a responder ao jornalista Mário Crespo: "Partido político? Nunca!"

Na primeira entrevista depois de ter conquistado 14% dos votos nas presidenciais, disse que altos detentores de cargos políticos do país o tinham contactado. No entanto, garantia que não ia aceitar nenhum cargo nem político nem governativo.

Visto em "Aeiou/Expresso"

  ©Template by Dicas Blogger.

TOPO