Filmadas na Guiné, em 1969, por três jornalistas franceses, as imagens só agora foram reveladas. (Vídeo SIC no final do texto)
A manhã mal tinha nascido quando se deu o ataque. As explosões de morteiro atingiram os primeiros homens da coluna com tanta violência que em milésimos de segundos lhes arrancaram membros e todo o vestuário.
Durante cerca de 15 minutos os militares portugueses combateram um inimigo sempre invisível, escondido no meio do mato. Quando o som dos disparos das G3 portuguesas e das metralhadoras chinesas usadas pelos guerrilheiros do PAIGC finalmente abrandou, foi substituído por outro não menos angustiante. Os gritos de agonia de um dos homens atingidos de morte.
"Ele sentiu a morte e de que maneira. Ainda esteve mais de uma hora vivo, sem uma perna e um braço. Pediu para o matarmos, mas quem é que o matava... era muito difícil fazer isso mas sabíamos que ele estava a sofrer e bem".
Leonel Martins também foi atingido pelas armas dos guerrilheiros do PAIGC, mas teve mais sorte. Sofreu ferimentos graves numa perna, nos rins e no peito, mas sobreviveu.
Um maço de tabaco numa hora
Conta que acendeu cigarro atrás de cigarro enquanto esperava pelo helicóptero de socorro que andou perdido a sobrevoar o mato e levou quase uma hora e meia para encontrar o local.
"São daqueles momentos que nunca mais passam. E eu estava passado da cabeça, pronto. Fumei um maço de tabaco inteiro numa hora e mesmo depois, no helicóptero, já a soro, ainda pedi um cigarro ao piloto".
Esta emboscada aconteceu a 18 de outubro de 1969 na região de Bula, a cerca de 40 quilómetros de Bissau e tudo foi filmado pela câmara de três jornalistas franceses que conseguiram autorização de Spínola e do Governo de Lisboa para acompanhar o teatro de operações. Para os registos oficiais, representou apenas mais um episódio da guerra da Guiné, mais dois homens na lista de baixas, outros dois para a contabilidade dos feridos.
O filme, que poucos conhecem, é um dos registos mais dramáticos da guerra colonial que começou em Angola, a 4 de fevereiro de 1961. E foi visto no programa "Grande Reportagem" da SIC, que foi para exibido domingo à noite.
"Radicais islâmicos do Norte do Cáucaso estão quase sempre no topo da lista de suspeitos de atentados à bomba que causam morte e destruição na Rússia. E isso é mais evidente quando o ataque é realizado por mulheres suicidas."
Multidão aglomera-se observando a movimentação de bombeiros em Park Kultury; presidente russo culpou separatistas da Tchetchênia pelos ataques
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"Os ataques desta segunda-feira contra o metro de Moscovo têm a marca das Viúvas Negras, segundo analistas. O grupo surgiu após uma série de conflitos separatistas na Chechênia, iniciados em 1991, com o desmantelar da União Soviética, e é formado por mulheres cujos maridos, irmãos, pais e outros parentes morreram em combate contra a Rússia. Os confrontos tiveram o seu auge em 1994, quando as forças russas invadiram o território e provocaram a morte de cerca de 100 mil pessoas. Nas suas ações suicidas, as viúvas, conhecidas como shakheedas, costumam se vestir de preto dos pés à cabeça e usam um cinto carregado de explosivos.
As Viúvas Negras começaram a ganhar notoriedade em 2002, quando estiveram presentes na tomada de um teatro em Moscovo por separatistas chechenos no meio da apresentação de um musical. A reação das forças especiais russas à operação terrorista levou à morte de 115 reféns e 50 rebeldes.
Em 2003, as viúvas realizaram um ataque durante um show de rock na capital russa que matou 14 pessoas. Um ano mais tarde, integrantes do grupo fizeram parte da invasão de uma escola primária em Beslan, na república federada russa da Ossétia do Norte. Na operação, morreram 334 reféns. Apenas um extremista sobreviveu.
Ao contrário de mulheres-bombas ligadas a grupos extremistas palestinos ou à al-Qaeda, que são glorificadas pela família, as Viúvas Negras não recebem apoio familiar e são consideradas pelos chechenos moderados uma vergonha. Muito mais do que a religião, o que move as mulheres-bomba da Chechênia é o desejo de vingança.
- A motivação é mais emocional. Diferentemente do mundo islâmico, a pressão religiosa não é tão grande na Chechênia. Não existe ambiente para glorificá-las como, por exemplo, nos territórios palestinos - disse Alexander Zhebit, doutor em História de Relações Internacionais e Política Internacional e professor da UFRJ. - As shakheedas trazem infelicidade para os clãs familiares, a base da sociedade chechena, que passam a ser investigadas e perdem até negócios - acrescentou.
Entretanto Zhebit acredita que a religião possa ter tido influência para determinar o dia para a realização do atentado em Moscou:
- A escolha da segunda-feira não deve ter sido casual, já que está começando a Semana Santa ortodoxa, que, este ano, coincide com a católica. Seria um desafio à religião predominante no país que, segundo os chechenos, causa opressão.
A ira chechena contra Moscovo remonta à época de Josef Stalin. Um programa soviético fez com a região fosse povoada por migrantes russos, que receberam benefícios para se mudar para a Chechênia. A medida gerou revolta entre os nativos. Para sufocar a resistência, Stalin enviou em 1944 cerca de 400 mil chechenos para a Sibéria e o Cazaquistão. Com a derrocada do Império Soviético, os chechenos retornaram ao seu berço e reforçaram a luta armada."
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