terça-feira, 13 de setembro de 2011

A água é nossa - Boaventura de Sousa Santos


As privatizações são o objectivo central do governo. Porquê esta centralidade; se as receitas que elas geram são uma migalha da dívida? Porque o verdadeiro objectivo delas é destruir o Estado Social, eliminar a ideia de que o Estado deve ter, como função primordial, garantir níveis decentes e universais de protecção social.

Sujeitar os serviços públicos à lógica do mercado implica transformar cidadãos com direitos em consumidores com necessidades que se satisfazem no mercado. Cada um consome segundo as próprias posses. Para os indigentes, o Estado e as organizações de caridade garantem mínimos de subsistência. Mesmo assim, há privatizações e privatizações, e a privatização da água é a mais escandalosa de todas porque ela põe em causa o próprio direito à vida.

A água é um bem comum da humanidade e o direito à água potável um direito fundamental. Um direito de que está privada cerca de um quarto da população mundial (1,5 mil milhões de pessoas). Todos os dias morrem 30 mil pessoas por doenças provocadas pela falta de água potável. As alterações climáticas fazem prever que este problema se agravará nas próximas décadas. Considerando que quase metade da população mundial vive com menos de dois dólares por dia, e, por isso, sem condições para aceder ao mercado da água, tudo recomendaria que as medidas para garantir o acesso à água fossem orientadas pela ideia do direito fundamental e não pela ideia da necessidade básica.

Apesar disso, desde a década de 1980, a onda neoliberal fez com que muitos países privatizassem os sistemas de água. As consequências foram desastrosas: as tarifas subiram mais de 20 por cento; o investimento na manutenção das infra-estruturas diminuiu; a qualidade da água piorou; as poucas multinacionais que controlam o mercado mundial, ao preferirem as empresas do seu grupo, levaram à falência as empresas municipais; houve conflitos violentos (por exemplo, na África do Sul) quando a empresa fechou as torneiras a quem não pagava as contas; foram denunciadas cláusulas danosas nos contratos, conflitos de interesses e corrupção. Perante isto, os cidadãos de muitos países e cidades organizaram-se para impedir a privatização ou para lutar contra ela. Ficou famosa «a guerra da água» em Cochabamba (2000); em vários países, as lutas populares mudaram as Constituições para garantir a água como bem público; iniciativas de cidadãos levaram à substituição das parcerias público-privadas por parcerias público-públicas (entre governos centrais, regionais e municipais).

Este movimento não se confinou ao mundo menos desenvolvido. Por toda a Europa cresce o movimento contra a privatização da água e ele é forte nos países que tutelam hoje a política portuguesa, a França e a Alemanha. Ao fim de 25 anos, Paris remunicipalizou a gestão da água em 1 de Janeiro de 2010. O mesmo se passou com Grenoble mobilizada pela inovadora associação Eau Secours. Na Alemanha numerosas cidades estão a remunicipalizar a gestão da água, e Berlim não quer esperar por 2008 para terminar a concessão à multinacional francesa Veolia.

Por tudo isto, o mercado da água entrou em refluxo. Assimse explica que a privatização da água não conste do menu de privatizações da troika. Não é a primeira vez nem será a última que uma política considerada inovadora pelo governo português, é, de facto, uma política anacrónica, fora de tempo.

Mas como a cartilha deste governo tem uma lógica temporal muito própria (varrer da memória dos portugueses o 25 de Abril e o Estado Social que ele promoveu) não é de esperar que ele se envergonhe do seu anacronismo. Só os portugueses o poderão travar através de lutas de democracia directa e participativa, tais como protestos, organizações cívicas, petições, referendos, e da litigação judicial. Para eles, sim, será importante saber que a luta contra a privatização da água tem tido uma elevada taxa de êxito. O grupo Águas de Portugal não é um bom exemplo de gestão mas a solução não é privatizá-lo; é refundá-lo.

(In Visão de 4 de Agosto de 2011)

domingo, 11 de setembro de 2011

Lady Gaga - Paparazzi



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A admissão de pessoal no anterior mandato autárquico

Foto de Tozé Canaveira, na campanha autárquica 2009. Ver mais fotos aqui

Anjos: "Eu estou aqui"

Como um comentador daqui apreciava, os concursos de admissão de pessoal no tempo da outra senhora, ou seja, nos tempos de decadência política do ex-presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Estêvão Pereira.

7 de Janeiro de 2009

"...O tema que hoje me leva escrever-lhe prende-se com o Concurso externo de ingresso para provimento de um lugar de técnico superior de 2.ª classe (licenciatura na área de Turismo), promovido pela Câmara Municipal de Viana do Alentejo.

Não vou questionar aqui se a vaga já teria destinatário ou não, porque isso parece-me óbvio, quando em 11 candidatos há um que se destaca com 16,34 valores, o segundo classificado tem apenas 12,59 valores, seguido de mais sete candidatos com notas dentro dos 12 valores e dois dentro dos 10 valores.

Como se explicam estas notas? Simples há candidatos que têm 0 (zero) pontos nalgumas questões, como é que isto acontece? Isso já não sei, mas eu acho muito estranho uma pessoa que estuda quatro anos turismo depois não consiga ao menos obter um pontinho numa questão, a meu ver sabiam era mais que quem fazia as perguntas!

Quando se acaba com esta imoralidade de gozar com quem procura emprego???

Se já sabem quem querem por nas vagas arranjem uma forma de não gozar com quem realmente está desempregado e pode mesmo precisar dessa vaga, sempre se poupa algum dinheiro nas deslocações a entrevistas desnecessárias.

Ok eu sei que têm de cumprir formalidades e que as outras câmaras também o fazem. E se as outras se atirarem para um poço?

Mas este desabafo não foi o motivo principal que me fez escrever estas palavras, queria apenas obter um esclarecimento se possível para uma situação que passo a partilhar convosco:

O Aviso n.º 24302/2008 publicado no Diário da República, 2.ª série — N.º 189 — 30 de Setembro de 2008, referente a abertura do concurso anteriormente citado, refere nos números 1 e 3 o seguinte:

1 – “…concurso externo de ingresso para admissão em regime de Contrato de Trabalho por Tempo Indeterminado para o Exercício de Funções Públicas de um Estagiário na carreira de Técnico Superior (Licenciado na Área de Turismo).

3- A remuneração é a constante do anexo a que se refere o n.º 1 do artigo 13.º do Decreto -Lei n.º 412 -A/98, de 30 de Dezembro (escalão 1, índice 321 — actualmente 1.070,89 €). As condições de trabalho são as genericamente vigentes para os funcionários da Administração Local.

Ora qual não é o meu espanto quando vejo o Aviso n.º 30884/2008 publicado no Diário da República, 2.ª série — N.º 252 — 31 de Dezembro de 2008 referente à celebração de contrato individual de trabalho com o primeiro classificado do referido concurso, que diz o seguinte:

“…na sequência de concurso externo de ingresso, (Aviso n.º 30884/2008 *) foi determinada a celebração de contrato individual de trabalho por tempo indeterminado para o exercício de funções públicas, nos termos da alínea b) do n.º 2 do artigo 117.º da Lei n.º 12 -A/2008, de 27 de Fevereiro e da Lei n.º 23/2004, de 22 de Junho, com a candidata classificada em 1.º lugar no concurso supra indicado — Maria Rita Timóteo Sim Sim Torres — com a posição remuneratória referente ao escalão 1, índice 400, a que corresponde a remuneração mensal de 1.334,44 €. …”

Então a que se deve esta diferença de 263,55€ no vencimento estabelecido no aviso de abertura e o assinado em contrato?

Já sei um refere-se ao vencimento de um estagiário e outro a um técnico superior de 2ª classe, e então? No aviso de abertura não diz claramente que procuram um estagiário? Devem ter encontrado um candidato tão bom que o dispensaram do estágio…"

* Nota da redacção

Centro escolar de Viana do Alentejo custa mais de dois milhões de euros



As obras do novo centro escolar de Viana do Alentejo arrancaram esta semana, num investimento superior a dois milhões de euros, devendo ficar concluído em 2012 para albergar cerca de 150 alunos, anunciou hoje o município local.

Em declarações à Agência Lusa, o presidente da Câmara de Viana do Alentejo, Bernardino Bengalinha Pinto, considerou que o projeto da nova escola é “um dos mais importantes do concelho”, já que permitirá juntar todos os alunos no mesmo espaço.

“Atualmente, os alunos do pré-escolar e do primeiro ciclo do ensino básico ocupam três edifícios que estão espalhados pela vila e este novo centro escolar vem agrupar toda a comunidade escolar no mesmo espaço”, explicou o autarca.

Projetado para um espaço contíguo à escola EB 2/3 Dr. Isidoro de Sousa, o novo centro escolar, constituído por oito salas de aula destinadas ao primeiro ciclo e três para a educação pré-escolar, vai receber cerca de 150 alunos, 30 do jardim-de-infância e 120 do primeiro ciclo.

Tendo um prazo de construção de um ano, o projeto, que envolve um investimento global de 2,2 milhões de euros, é cofinanciado pela União Europeia, através do Fundo Europeu do Desenvolvimento Regional (FEDER), no âmbito do Programa Operacional do Alentejo - INALENTEJO.

Garantindo que o futuro centro escolar irá permitir melhorar as condições de aprendizagem das crianças do concelho, Bernardino Bengalinha Pinto adiantou que o novo equipamento vai ficar equipado com “computadores novos, quadros interativos e internet de alta velocidade”.

“As atuais escolas têm 40 ou 50 anos de existência e são as mesmas que eu frequentei”, disse o autarca, considerando que, embora tenham recebido algumas melhorias, “são edifícios completamente desadequados”.

As novas salas vão ter espaços comuns como refeitório, polivalente, biblioteca, instalações sanitárias e receção, havendo também espaços personalizados, como gabinete médico, sala de atendimento e complemento de apoio à família e ainda gabinetes de trabalho.

A nova escola vai contar também com a Oficina da Criança, um serviço de apoio às atividades letivas e de tempos livres que funciona sob a tutela da autarquia.

@Lusa

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A criminosa destruição do SNS

Qualquer português razoavelmente informado saberá que, apesar das suas debilidades, das listas de espera em algumas especialidades e de uma política do medicamento que promove o desperdício, Portugal tem um bom Serviço Nacional de Saúde. Pode mesmo dizer-se que foi, no que toca aos serviços públicos, o mais bem sucedido empreendimento da nossa democracia. E para esse resultado terá contribuindo a universiladade da prestação de serviços de saúde públicos.

Temos, no entanto, assistido à sua destruição nos últimos anos com o objetivo de canalizar parte da população para a medicina privada. Quando o Estado faz, para os seus funcionários, acordos com hospitais privados, quando é o próprio banco público a deter um hospital privado, quando se aceita que estas unidades hospitalares usem os hospitais públicos como recurso para tudo o que lhes possa dar prejuízo, está, indiretamente, a promover-se a medicina privada. É interessante, aliás, que os que têm a irracionalidade da gestão de recursos por parte do Estado sempre na boca se esqueçam deste pequeno pormenor: 43 por cento do orçamento do SNS vai para operadores privados. Ou seja, o setor privado é largamente financiado por dinheiros públicos. Dinheiro que depois, como é natural, usa para ficar com os melhores recursos humanos.

Junta-se a tudo isto os cortes cegos no SNS de que o último exemplo é a redução em 50 por cento dos incentivos para a recolha de órgãos para transplantes, medida que poderá ser paga em vidas. O resultado mais imediato da sangria está à vista: incapaz de pagar salários concorrenciais aos médicos, os melhores fogem para a medicina privada. Durante muitos anos as pessoas apenas recorriam à medicina privada por uma questão conforto. Mas não faltará muito para que quem queira um tratamento de qualidade tenha mesmo de se endividar. O SNS ficará para os pobres e os indigentes, prestando maus serviços a quem não tenha alternativa. E aí, uma das poucas áreas onde conseguimos garantir alguma igualdade social - nos indicadores de saúde - passará a ser aquela onde a desigualdade de condições mais se fará sentir.

Não vou estar com meias palavras: por lidar com o que de mais elementar existe nas nossas vidas, a medicina privada deve ter um papel estritamente complementar ao SNS público. Porque o Estado não tem como concorrer com o setor privado sem esvaziar os cofres públicos (os privados ficam com quem tem recursos financeiros, podendo pagar mais aos melhores profissionais), este deve ser fortemente regulado e condicionado. Dirão: onde fica a liberdade do mercado? A minha resposta é só esta: o direito à vida está à frente dela. E todos sabemos, através, por exemplo, da experiência dos Estados Unidos - com indicadores de saúde que se aproximam de alguns países do terceiro mundo - até onde nos leva o domínio do lucro sobre as políticas públicas de saúde.

Texto de Daniel Oliveira, visto no Expresso online,

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Passos Coelho e os "tumultos sociais"...

Retirado aqui

O primeiro-ministro lançou ontem um forte aviso "àqueles que pensam que podem incendiar as ruas" e trazer "o tumulto" para o país e em jeito de ameaça avisou que o Governo não permitirá esse caminho e saberá decidir quando necessário. Em reacção, Carvalho da Silva lembra a Passos que Portugal "nunca teve incendiários" e disse esperar que não seja o Governo a incendiar as ruas.

Antevendo o aumento da contestação social que vai endurecer nas próximas semanas já que são várias as manifestações de protesto marcadas contra as medidas de austeridade do Governo, Pedro Passos Coelho decidiu endurecer o discurso e fez questão de avisar que não será brando.

Perante estas declarações, Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP que já marcou uma manifestação para 1 de Outubro, disse que: "Portugal nunca teve incendiários, espero que não seja com este Governo que esta prática se instale". "Parece-nos que há uma grande instabilidade no pensamento do primeiro-ministro. Estas declarações pré-anunciam um grande desnorte que se reflecte nas políticas, em poucas semanas Passos Coelho apelou ao diálogo social (recorde-se que na festa do Pontal, no Algarve, no final de Agosto, o primeiro-ministro pediu "concertação e diálogo aos parceiros sociais) e agora mostra-se muito perturbado com uma hipotética contestação incendiária". "Espero que não seja ele com a sua perturbação a incendiar as ruas", repetiu

Visto no "Económico"

sábado, 3 de setembro de 2011

O monocórdico ministro das finanças




Red Alert -Soviet March

Cada vez que o  mestre-escola, agora ministro, professor Vitor Gaspar abre a boca é para anunciar mais impostos, invariavelmente atingindo sempre aos mesmos: os trabalhadores por conta de outrém e os "assalariados" do recibo verde.

Paula Fernandes, Leonardo - Tocando Em Frente



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Twitter: Passos prometeu sempre «menos sacrifícios»


Conta do primeiro-ministro foi utilizada até às eleições, quando o PSD insistia no corte da despesa e não no aumento de impostos.

A conta de Twitter que Pedro Passos Coelho utilizou antes e durante a campanha eleitoral ainda se mantém activa, pelo que é possível ver o que prometeu o actual primeiro-ministro, conforme recordou Fernanda Câncio esta sexta-feira num artigo de opinião no «Diário de Notícias».

O tvi24.pt recolheu algumas das mensagens que, hoje, após quatro aumentos de impostos e pouca clarificação do lado do corte da despesa, ganham outra luz.

- «A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento»

- «Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate»

- «A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos»

- «Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas»

- «Estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução.»

- «Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos.»

- «Apelo ao Governo para que seja diligente e transparente no que toca à despesa. De outra forma é o país que sofre com esta situação.»

- «Se continuássemos a empurrar os cortes na despesa com a barriga desta forma, acabaríamos o ano com mais mil milhões de euros de défice real.»

- «O Governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU com que se comprometeu no memorando.»

- «O aumento de impostos previsto por este Governo no documento que assinámos com a UE e o FMI é mais do que suficiente»

- «Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português.»

- «Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos.»

- «Não podemos colocar a austeridade toda do lado das pessoas e nenhuma do lado do Estado. Foi isto que transmiti ao Governo»

- «O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento.»

- «Mas o sacrifício das empresas e famílias não foi suficiente para equilibrar as contas públicas. O esforço tem de começar pelo próprio Estado»

- «O Governo quer tornar mais fácil e barato despedir, mas não aceita que os jovens possam ter mais possibilidade de emprego»

- «A receita durante estes primeiros meses só pode aumentar porque aumentámos os impostos todos. Não há milagre nenhum»

- «Sabemos hoje que o Governo fez de conta. Disse que ia cortar e não cortou». 

Visto em "TVI 24"

domingo, 28 de agosto de 2011

Os limites do crescimento: a actualização de 30 anos


“Actualmente, com o colapso da pesca, a redução das florestas, a diminuição dos níveis dos lençóis freáticos, a extinção dos recifes de corais, a expansão dos desertos, a erosão dos solos, o aumento da temperatura e o desaparecimento de espécies, é importante pensarmos sobre os limites do crescimento. Quando foi publicado pela primeira vez, em 1972, em resposta a uma solicitação do clube de Roma, o livro suscitou imediata atenção e muita polémica em diversas partes do mundo. Pela primeira vez, a humanidade despertava para a crua realidade dos limites físicos da Terra em condições de ilimitados impactos humanos. Há trinta anos, Os Limites do Crescimento foi ampla, mas erroneamente atacado, por profetizar a catástrofe, ignorar os custos e negar a adaptação. (…)

Trinta anos mais tarde, a obra acrescenta novas análises, actualiza dados e cenários para aprofundar o mesmo chamado de alerta. Os “limites” estão cada vez mais próximos e os seus primeiros impactos já excedidos aumentaram consideravelmente o prejuízo ambiental, económico e social, provocando situações de tragédia humana justamente nas áreas mais empobrecidas e vulneráveis do planeta. A obra concentra-se em elucidar a necessária transição para um mundo sustentável, e sugerir o necessário debate sobre as ferramentas para enfrentar a transição. Trata-se de uma excelente contribuição para o debate e acção sobre temas decisivos para a vida e o futuro das sociedades. Este livro é dedicado a políticos, cientistas, decisores, estudiosos, formadores de opinião e cidadãos preocupados com o seu destino e o dos que viverão. Enfim, seres humanos que ainda acreditam que é possível, e que ainda há tempo.”

De entre os livros publicados nas últimas décadas, poucos terão despertado tanta discussão e levantado tanta polémica como foi o caso de "Os limites do crescimento”. Publicado em 1972, de autoria de Donnela Meadows, Jorgen Randers e Dennis Meadows, o livro foi escrito por iniciativa do Clube de Roma fundado por Aurélio Peccei, e encomendado  a uma equipa de 16 técnicos dirigidos por Dennis Meadows, professor do grupo de dinâmica de sistemas da Sloan School of Management do MIT. Esta equipa baseou o seu trabalho num modelo informático, o “World3”, cujo protótipo foi desenvolvido pelo professor da mesma escola, Jay W. Forrester.

Na primeira edição, em 1972, o livro apresentava a seguinte grande conclusão: "se as tendências actuais de crescimento da população mundial, da industrialização, da poluição, da produção alimentar, e do consumo dos recursos, se mantiverem inalteradas, então os limites do crescimento no nosso planeta serão atingidos, algures, nos próximos 100 anos. E o resultado mais provável será um súbito e incontrolado declínio na população e na capacidade industrial."

"The Limits to Growth" foi recebido com grande entusiasmo, mas também com críticas: para muitos ele foi visto como uma profecia de desgraça, imbuído de uma visão pessimista, e foi acusado de fazer previsões alarmistas. Muitos fizeram leituras parcelares e enviesadas, ou nem sequer chegaram a lê-lo, para tirar conclusões apressadas e pôr em causa todo o seu conteúdo. Em particular os economistas das escolas clássicas viram questionada a sua crença no sagrado princípio do crescimento sem limites. Houve até um prémio Nobel da economia, Robert Solow, que veio afirmar que o livro estava mal fundamentado, que tinha insuficiência de dados, e que não tinha levado em conta a capacidade tecnológica do homem para superar as dificuldades.

Mas para muitos outros o livro foi como um despertar de consciências, um grito de alerta a dizer-nos que estávamos perigosamente a pisar o risco. As reacções mais sensatas foram daqueles que concluíram que nada está perdido mas que não podemos ficar indiferentes, e que precisamos de fazer alguma coisa. Uma boa síntese dessas posições será este depoimento da Royal Society of London: "se as previsões do crescimento populacional se confirmarem e o actual padrão de vida não for alterado, a ciência e a tecnologia poderão não ser capazes de impedir a degradação do ambiente e o contínuo empobrecimento de uma grande parte da população mundial." E é de referir, pela sua clarividência, uma importante análise de Matt Simmons, um especialista do “pico do petróleo”, feita em 2000

Em 1992 o livro foi actualizado com o título Beyond the Limits, e em 2004 foi publicado uma nova reedição do livro com o subtítulo "The 30 years update". As principais conclusões de 1972 são confirmadas nesta edição actualizada de 2004, e os autores repetem os alertas, mas propõem-nos uma via de esperança que eles chamam de revolução sustentável, que será a terceira grande revolução da humanidade, depois da revolução agrícola que sedentarizou os homens e da revolução industrial que nos conduziu à globalização.

Basicamente o livro analisa a evolução de variaveis  e  a demografia, a produção industrial, os recursos (renováveis e não renováveis) e a poluição. A população é a variável mais sensível e condiciona todas as outras. Em todos os cenários analisados prevê-se que a população atingirá um máximo nas próximas décadas, antes de começar a decair. E isto tanto pode acontecer pela redução voluntária da natalidade associada ao progresso tal como já acontece nas sociedades mais ricas, como pelo aumento brutal da mortalidade associada à pobreza e carência alimentar, e consequente redução da esperança de vida.

Ao longo de todo o livro realça-se o perigo do crescimento exponencial, mostra-se que a “pegada ecológica” já ultrapassou a capacidade de carga do planeta, e que temos forçosamente que regredir para nos ajustarmos, de novo, aos seus limites . Como nota de esperança apresenta-se o conceito de transição para uma sociedade sustentável  a qual não poderá mais ser governada pela “mão invisível” do mercado mas que deverá ser baseada em novos pressupostos: pensamento visionário, valorização das redes, falar verdade, aprendizagem contínua e um novo humanismo. Não estamos, seguramente, longe dos princípios inspiradores das Iniciativas de Transição.

"The Limits to Growth" ficará como marco na história do pensamento moderno. Ele integra as ideias daqueles que perceberam que existe uma realidade física que condiciona o nosso futuro, que se sobrepõe à teoria económica e que condena o liberalismo económico. Mas o livro aponta um caminho, uma nova via de prosperidade que urge começar a ser preparada.

Visto em "Designer Durável"

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Os ricos querem tomar conta dos pobres antes que os pobres tomem conta deles

O tema da contribuição dos ricos para o saneamento das contas públicas saltou para as páginas dos jornais com o artigo de Warren Buffet no qual o multimilionário norte-americano exortava o governo do seu país a acabar com os mimos dados aos ricos, reclamando uma “justa repartição de sacrifícios”.

Esta semana, um conjunto de 16 destacados milionários franceses seguiu o mesmo exemplo, oferecendo-se para pagar mais impostos como forma de reconhecimento por um “modelo francês e contexto europeu” de que beneficiaram e querem ajudar a preservar. Dos dois lados do Atlântico, a mensagem foi sobretudo moralista.

É sintomático que sejam os ricos a dar lições de moral e de justiça aos governos. Seja este gesto visto como uma reivindicação magnânime ou como uma irónica autorização, a imagem dos governos sai naturalmente beliscada.

Mas a questão mais relevante que esta polémica desperta é outra. Como vários economistas já alertaram, e como, de resto, os próprios milionários depressa esclareceram, o contributo dos ricos será sempre uma gota no oceânico desequilíbrio das contas públicas dos Estados.

É uma ilusão pensar que, neste contexto, é possível fazer um ajustamento orçamental desta dimensão de forma equitativa. A única forma de reduzir de forma drástica o défice das contas públicas num cenário de recessão é pelo lado da despesa. E a despesa do Estado traduz-se essencialmente em apoios sociais e serviços públicos, pelo que os cortes implicam mexer no bem-estar da maioria da população que é composta pelos menos favorecidos e pela classe média. Isso faz-se (e tem sido feito) pelo corte nos salários dos trabalhadores do Estado, pela redução das pensões dos reformados, pela diminuição das comparticipações de medicamentos dos doentes e pela limitação da oferta de serviços públicos.

Como o actual Executivo já percebeu, se é verdade que existem gorduras no Estado é por demais evidente que não é por aí que se resolve o problema do défice. A despesa que vale é a despesa que dói. Ou seja, com ou sem impostos especiais sobre os ricos, são os pobres e remediados que mais vão sofrer.

Já estão habituados, diriam os mais cínicos. E é verdade. Os milénios de história que as civilizações humanas já acumulam mostram que os pobres têm uma grande tolerância à dor. Mas também revelam que o rastilho que liga a dor à indignação pode acender-se a qualquer momento, sobretudo quando os contrastes se tornam demasiado evidentes e os desfavorecidos perdem a esperança. Daí a importância do exemplo e da discrição.

Mas, hoje, a riqueza está, mais do que nunca, à vista de todos, a televisão exibe-a todos os dias na casa dos pobres. O seu usufruto parece estar ali à mão de semear, como pensaram, iludidos, os jovens que amotinaram e saquearam Londres e outras cidades inglesas. Não ganharam nada com isso, mas assustaram.

No fundo, o que Buffet e os 16 milionários franceses fizeram foi lembrar os respectivos governos de que é preciso tomar conta dos pobres. É a velha máxima, um dia lembrada por António Guterres quando era primeiro-ministro: é preciso que os ricos tomem conta dos pobres antes que os pobres tomem conta dos ricos.

Visto em "Negócios"

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Alentejo Central quer estratégia de eficiência energética para iluminação pública


A Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC) apresentou ao Inalentejo, o programa operacional do Alentejo 2007/2013, um projecto de eficiência energética na iluminação pública. A candidatura foi tornada pública a 29 de Julho último e contou com o apoio da ARECBA, a Agência Regional de Energia do Centro e Baixo Alentejo.

“Este projecto de Eficiência Energética na Iluminação Pública no Alentejo Central tem como principais objectivos a redução de consumos e, como consequência, a redução de custos municipais com energia eléctrica para a iluminação Pública e a melhoria das condições ambientais do território, fruto da redução de emissões de gases de efeito de estufa, mais concretamente de CO2”, explicou a CIMAC em comunicado.

De acordo com a entidade, a candidatura tem quatro eixos principais:

1. Introduzir relógios astronómicos em todos os postos de transformação de iluminação pública do Alentejo Central, que ainda não os apresentem, prevendo-se uma redução de consumo da ordem dos 7% de energia eléctrica e a correspondente redução de emissão de CO2;

2. Substituição das actuais lâmpadas de mercúrio por lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão nos postos de transformação de iluminação pública que constituam os circuitos mais consumidores (20% do total);

3. Introdução de tecnologia LED nas instalações semafóricas dos municípios de Arraiolos, Alandroal, Estremoz, Mora, Reguengos de Monsaraz, Redondo e Viana do Alentejo;

4. Substituição de luminárias actuais por luminárias LED nos municípios de Viana do Alentejo; Estremoz e Reguengos de Monsaraz.

Em termos ambientais, o projecto permitirá atingir os seguintes resultados anuais:

1. Redução do consumo anual de 2.398.943 kWh em energia eléctrica;

2. Redução das emissões de CO2 para a atmosfera em cerca de 1.128 toneladas

Visto em "Grenn Savers"

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O que é feito da oposição?

Se o governo não é grande coisa a oposição não é melhor, Louçã ainda não sabe bem o que fazer, Jerónimo de Sousa protesta contra os despedimentos de professores ao mesmo tempo que Mário Nogueira se roça no ministro como um gato doméstico e de António José Seguro nada se sabe, desapareceu.

Vítor Gaspar adopta sucessivas medidas de austeridade dignas do tempo do Chile de Pinochet e do lado do PS pouco mais se ouve do que alguns gemidos, não se percebe muito bem se aprova ou desaprova as medidas, até parece que a nova liderança do PS também é mais troikista do que a troika.

No PCP a situação roça o vergonhoso, a troco de uma avaliação mais fácil para os professores instalados o Mário Nogueira aceita tudo e quando se fala em despedimentos é uma segunda figura da Fenprof que aparece a dar alguns gemidos. Quando se decidiu o encerramento de escolas por não terem qualidade o Mário revoltou-se, agora que o governo decide aumentar o número de alunos por turma com o claro objectivo de despedir professores o Mário Nogueira fica calado.

Os ministros pouco ou nada fazem para além de algumas jogadas de propaganda e do lado da oposição, designadamente, do PS não se assistem a qualquer reacção. Isto significa que o governo está em roda livre, Cavaco já nem aparece no Facebook, o PS desapareceu e a extrema-esquerda parece envergonhada por se opor depois de ter ajudado a direita achegar ao governo.

Isto pode ser bom para o governo que depois de recear a contestação às suas medidas percebe que pode decidir-se por medidas mais duras. Mas pode ser muito mau para o país, não só porque uma boa parte dos ministros não sabe o que está fazendo mas principalmente porque na ausência de oposição é de recear que mais dia menos dia a contestação venha para a rua não só para contestar contra uma política, mas para criticar um sistema que parece estar podre.

Visto no " O Jumento"

Saiba quantos funcionários trabalham na sua autarquia

As autarquias portuguesas dão trabalho a mais pessoas. Em 2008, a média de trabalhadores por mil habitantes era de 18,5. No final do ano passado, já era de 19,6. Veja aqui a infografia do Negócios para ficar a saber quantos funcionários trabalham na sua autarquia e nos restantes do país.

A ausência de empresas que promovam a actividade económica justifica o facto de, no Alentejo e interior do País, os municípios empregarem mais pessoas do que no resto do território. O Corvo, nos Açores, é o que tem a média mais elevada

As autarquias portuguesas dão trabalho a mais pessoas. Em 2008, a média de trabalhadores por mil habitantes era de 18,5. No final do ano passado, já era de 19,6. São muito mais aquelas que estão acima - ou iguais - à média (191) do que aquelas que estão abaixo (117). E vendo o mapa, é no interior e no Alentejo que há um maior número de funcionários por cada mil habitantes.

O concelho do Corvo, nos Açores, é o que tem um maior rácio de trabalhadores por habitante. Com 40 funcionários para 430 pessoas, quase um em cada dez corvenses trabalha na câmara municipal local, onde o presidente Manuel das Pedras Rita assume funções de técnico. Nos últimos três anos, o pequeno município até conseguiu reduzir quatro funcionários, mas a média de 93 funcionários por mil habitantes consolida o primeiro lugar.

No extremo oposto está Esposende, que, em três anos, passou para o primeiro lugar da tabela, com uma média de 4,8 funcionários por cada mil habitantes.

Apesar de ter havido mais autarquias a reduzir funcionários - 156, contra 152 que aumentaram, a envergadura das reduções (4.406) foi completamente "engolida" pelas contratações: 13.360 pessoas.




Visto em "Jornal de Negócios"

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Câmara de Alvito encerra os serviços dia 16 de Agosto


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