quinta-feira, 29 de abril de 2010

25 de Abril, sempre, social-fascismo nunca mais!



Gladiator:the Battle

Depois de aturada pesquisa na “Torre do Tombo” para investigar o passado dos denominados legatários locais do 25 de Abril, não se encontrou quase nada por via hereditária.

Afinal os títulos de antifascista tinham sido comprados na “Feira da Ladra”, com dinheiro público ganho pelos serviços prestados à causa do comunismo internacioanl, especialmente na ocupação das coudelarias do Alentejo – a “Quinta do Duque” com os seus belos cavalos, era fonte de inspiração que marcou estas gananciosas elites locais.

Contar estas coisas hoje em dia não tem muita importância, apenas “avisa a malta” e repõe um pouco de verdade nas conversas deturpadas, muitas delas, surgidas nos bancos de aquecimento testicular, depois de espinhoso trabalho de agitação e propaganda efectuado pelo isolado e transpirado controleiro local, sem os sovacos borrifados com desodorizante “Rexina”.

Voltando ao tema central deste texto, depois de longas sessões de incitamento à luta pela terra, os incontáveis funcionários e ajudantes de campo ao serviço da classe trabalhadora, marimbaram-se pouco tempo depois nos assalariados agrícolas e na Reforma Agrária e, alguns, mais espertos, como forma de compensação psicológica, desde aí, mais às claras, tudo fizeram para macaquear os invejados cognominados agrários absentistas

Com o plano bem delineado, para começar, compraram umas pilecas aos nómadas, no “Mercado do Cavalo” instalado pela Câmara, junto ao Santuário de Nossa Senhora d’Aires.
De seguida, num golpe de génio, inventaram uma “romaria de que não há memória nem tradição”, para se passearem em dia de festa, abafando quase sempre as comemorações do laico 25 de Abril – mas Deus não dorme.

Varrido o slogan, “a terra a quem a trabalha” e apagado da cassete o capítulo da “Reforma Agarra”, para manterem o estatuto de esquerda, vão-se entretendo nas horas vagas, nos locais de trabalho, fazendo umas petições junto do poder central, para melhorar a qualidade de vida do povoooooo.

O maior caso de sucesso foi terem conseguido vergar a arrogância do governo neoliberal e reaccionário do PS, para que fosse instalada e posta em funcionamento, ao serviço dos mais desfavorecidos, a última máquina de produção de cartões do cidadão.

Este feito glorioso, em que os últimos são os primeiros, só foi possível graças à luta popular.
Mas não há bela, sem senão: o povo desgastado por sucessivas manifestações de rua, junto do governo da república, foi acometido por desconhecida pandemia viral, clinicamente tratada graças ao novo serviço, “atendimento na hora para alguns”.

O recente serviço implementado no modelar Centro de Saúde/SAP/Urgência, e o assertivo acto médico em dia sim, aliado á previdente armazenagem do fármaco “Tamiflu”, guardado nas gavetas da secretária do director-geral de saúde, Dr. Francisco George Por Qué No Te Callas, evitaram o cataclismo.

É por isso que não podemos concordar com aqueles que apregoam na Praça da República, junto à estátua do patrono António Isidoro de Sousa: “temos um serviço de saúde local a precisar de uma desratização urgente sem químicos – quem tiver gatos que os leve para lá, pois desta forma natural o ambiente agradece”

Medalhemos no 13 de Janeiro o esforço dos predestinados líderes da classe operária, filhos de Abril, pessoas activas e militantes do bem comum, que num passado recente começarem a comer de faca à esquerda e garfo à direita.

Quem viveu os tempos onde a ausência destas ferramentas era a regra, sabe muito bem o que deve ter custado deixar o velho hábito manual de apoiar o conduto no pão, quando o havia.

Para completar a operação plástica cheia de cicatrizes, após várias quedas dolorosas do cimo dos muares, lá foram desajeitadamente conseguindo montar as cavalgaduras adquiridas em quinta mão ao povo nómada.

À medida que a “dinâmica de progresso” acelera, os mais precavidos vão enchendo a carteira com as mais-valias lucradas à conta do operariado e, com esse sustento capitalista, mesmo perdendo metade do valor de aquisição dos quadrúpedes sem “pedrigree”, à socapa, desfazem-se das suas azémolas no “mercado do cavalo”.

Melhor informados, lendo as letras gordas das revistas da especialidade, vão adquirindo novos animais, desta vez marcadas com ferro “Bem à Vista” de prestigiadas casas agrícolas.

Esta nova fidalguia sem linhagem, maioritariamente pertencente ou com ligação aos fundadores da CDU/Viana – versão 1993, finalmente esmagada com a chibata do voto em 11 de Outubro, devido ao mau assessoramento efectuado por uma nata de intelectuais analfabetos e mercenários da brigada mercantilista, frequentadores da “Festa do Avante”, rebanho transumante à medida que se vão esgotando as pastagens das Câmaras CDU/PCP.

Com “os ventos de mudança”, ficaram inicialmente acagaçados, mas num instante, sem perderam de vista o sustento diário e a reconquista do “Castelo” em 2013 – aqui não há golpes de estado antes dessa data – começaram de imediato a praguejar quanto às escolhas do treinador, para tentarem condicionar as convocatórias de jogadores, para as partidas de futebol que se prevêem duras no longo campeonato, jogado nos preservados pelados do concelho, classificados pela UNESCO como “património mundial”.

Depois da táctica de anti-jogo bem delineada, com as nalgas dormentes, apesar de montados na cavalaria de assalto em selas anti-escaras de flutuação liquida, propalam ao vento que o “Castelo” está sendo ocupado por uma corte de oportunistas do PS – “são tachos e mais tachos”.
Com a confusão lançada pelo relinchar das bestas, alguns passam a paliçada e, como quem não quer a coisa, correm para a vasilha do leite para ordenharem novamente o orçamento da Câmara.

Muitos não se contentam com este lamber de botas, sonham reconquistar o castelo, apenas utilizando a cavalaria de assalto, magnetizada com os estandartes vermelhos ao vento e o rufar dos tambores dos mercenários cabeçudos.

Mas só isso não chega, dizem os mais pragmáticos: é preciso mantermos os nossos agentes no Paço e promover a entrada na “corte” de alguns caixeiros viajantes, sem passarem pelo detector de metais, para que no momento certo, na altura do enlace das tropas de assalto sejam abertas as portas do castelo de par em par.

Mas há um senão: os cavaleiros de Abril não sabem que o príncipe possui couraçados elefantes de guerra.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ecos da Romaria a Cavalo, 3.º episódio



Khaled: El Arbi

Alguns romeiros depois da longa caminhada, com as bestas exaustas e famintas, chegam finalmente à barbearia, para escovar o pêlo e dar à língua.
Barbearia a abarrotar; sem mãos a medir; algazarra instalada; ninguém se percebe.

"Não surpreende este texto. É mais do mesmo. Novidade apenas o Potes Pacheco a lamentar-se de não ter sido incluído. O homem afinal gosta que falem nele.

Ente mentiras, falsas verdades, chavões construídos e datados para fins eleitorais, anticomunismo primário, ilusionismo, e alucinação, o escritor anterior volta ao mesmo registo de onde parece não conseguir sair: Quando o actual executivo é criticado por alguma coisa que não faz bem, este nosso defensor da democracia e transparência de imediato salta para o terreno e... aos costumes disse nada!
Na verdade, vai falar do passado que a sua(s) mente criou e alimentou e diz que os outros é que eram maus!

Sobre o presente não diz nada.
Porque será?
Se calhar porque as evidências suplantam em muito as coincidências e o nosso paladino defensor da moral, transparência e bons costumes nem sequer explica afinal se é ou não chefe de gabinete. E se não é porque não é, quando foi anunciado pelo Presidente da Câmara no dia da tomada de posse?

E o novo chefe da DASE é eleito do PS?
E os trabalhadores estão felizes agora? Óptimo.
O Sr Lima de Alcáçovas já recebeu o dinheiro que o Vereador João pereira disse que lhe pagava (eu ouvi)?

E toda a gente agora ganha muito dinheiro em horas extras como foi prometido pelo ps?

Acredite que para as próximas eleições teremos obviamente muita coisa que discutir, olhe eu sou um dos que estou a tomar nota das várias situações de compadrio (reais e não ficcionadas) para podermos discutir.
Mas isso será quando for o tempo.

Agora devia ser tempo de trabalharem, mostrar que são melhores do que os que lá estavam.

Deviam fazer a diferença mas com verdade. Deviam apontar os erros anteriores mas também assumir que apenas se estão a montar nos projectos que vinham da anterior gestão, do dinheiro que ficou à vossa disposição e das candidaturas que estavam em marcha.

Estão a dizer a parte má e a tentar apagar a parte boa como se ela não existisse. Estão a ignorar as benesses dos fundos comunitários agora tão mais flexíveis

Ou não estou a ver bem ou afinal a piscina de Alcáçovas (ela mesmo, a tão odiada), ainda vai ser financiada pelos fundos comunitários como o anterior executivo sempre foi dizendo e se assim for então ficam sem argumentos para manterem os empréstimos ao banco.

E ficam sem argumentos para não construírem a piscina coberta de Viana e o pavilhão de Aguiar.
E ficam sem argumentos para muitas outras coisas que não são do interesse do nosso conhecido anónimo que se tornem do domínio publico.

Portantos pá, teremos muita coisa que falar, mas lá mais para a frente. Agora, e que tal trabalharem um bocadinho?

terça-feira, 27 de abril de 2010

Ecos da Romaria a Cavalo, 2.º episódio



26 de Abril de 2010 23:35, anónimo disse:

A questão mantêm-se - ainda ninguém provou que essa romaria, em que os animais viriam da Moita até aqui para serem benzidos, realmente existiu, ou se é uma invenção para abrilhantar esta Romaria a Cavalo.

Mais que ir buscar comentários aos blogues, a generalidade deles anónimos, o que seria de facto interessante seria ver estes ressabiados comentadores apareceram com documentos históricos que documentassem essa transumancia de quase quinze dias, em plena época de sementeiras, isso sim, era obra.

Da mesma forma que seria muito interessante a demonstração de que um comunista convicto pode andar a papar hóstias, armado em beato, especular na bolsa, explorar trabalhadores ou dar em cavaleiro com pagem e tudo. Isso sim, é que era ser vanguarda e iluminar o caminho dos tristes proletariados.

Até lá e enquanto fogem com o rabo à seringa não assumindo os compromissos para os quais foram eleitos, até lá continua tudo em aberto.
PS
Ao contrário do que foi escrito nos blogues onde os comentários continuam disponíveis, os vossos, foram vergonhosamente apagados (pensam vocês) na tentativa de apagar a história.

Viva o Povo do Concelho de Viana do Alentejo - Abaixo os Crápulas!

Os dias seguintes ao 25 de Abril

Reportagem dos dias seguintes ao 25 de Abril, filmada cores pelos média estrangeiros.








segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ecos da Romaria a Cavalo




Tourada: Fernado Tordo

Mas quem é que se preocupa com o carro andor, santas, fé ou coisas do género, deveriam ser os romeiros, não será? Não serão certamente os comunistas empreiteiros cavaleiros caloteiros.

Eles, mais que ninguém e sendo cá da terra, poderiam ter dado uma mão para que a entrada tivesse sido apoteótica, mas isso também não lhes interessava, não é?

Há um reparo que também gostaria de aqui deixar, a romaria a cavalo não é uma iniciativa da câmara de Viana e da Moita.
Começou e continua a ser, mais que tudo, uma iniciativa de um grupo de pessoas da Moita que tem o apoio das câmaras atrás citadas.

Aliás, no primeiro ano o camarada Estêvão (na altura ainda era comunista)tudo fez para se desmarcar da romaria que colidia com as comemorações do 25 de Abril. A dinâmica de progresso dos romeiros é que não lhe deu outra alternativa senão a de se sentar na charrete.

Mas a propósito de "muitos afastados uns dos outros", foi muito notado o afastamento entre o arquitecto Carlos Marques e o seu amigo João Garcia que este ano entrou na companhia do Cabral.

Foi por acaso ou terá sido estratégia?

domingo, 25 de abril de 2010

República, quinta-feira, 25 de Abril de 1974

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A 2ª e 3ª edição do Jornal "Republica" do dia 25 de Abril: em baixo pode ler-se "este jornal não foi visado por qualquer comissão de censura". O Director era Raul Rego.


Sérgio Godinho: o primeiro dia

25 de Abril de 1974: Posto de Comando do MFA


Otelo Saraiva de Carvalho


A reportagem do jornalista Walter Medeiros regista as memórias de Otelo Saraiva de Carvalho sobre a longa noite.

A Escolha do Regimento da Engenharia 1 para o Posto de Comando do MFA:

"A escolha do RE-1 para comandar as operações do 25 de Abril partiu de uma sugestão do tenente-coronel Nuno Fisher Lopes Pires, que tinha sido segundo comandante daquela unidade militar até ao dia 6 de Março daquele ano. O capitão Luís Macedo, outro militar do RE-1 e ainda em serviço durante as operações do 25 de Abril, apoiou a proposta e não houve dúvidas em aceitar a sugestão de Lopes Pires, visto que reunia todas as condições necessárias: estar perto de Lisboa, mas fora da cidade, ser uma unidade da confiança do MFA, dar poucas possibilidades de as forças governamentais a descobrirem, dado que se tratava de uma unidade de engenharia e não de artilharia, por exemplo, como seria mais provável.

A Sala de Operações do MFA foi montada num pavilhão pré-fabricado: uma grande mesa ao centro, outras com aparelhos de rádio e telefones, um armário metálico com pistolas e granadas, janelas tapadas com cobertores, uma prancheta de contraplacado, um mapa das estradas do país (do Automóvel Clube de Portugal) e algumas cartas locais. No exterior do pavilhão estava montada uma pequena tenda para o pessoal de transmissões, com antenas vertical e dipolo. Junto ao Posto de Comando, uma camarata improvisada, com camas militares com colchão, travesseiro e duas mantas.

Dali, os sete operacionais comandaram as operações de uma forma surpreendentemente eficaz, ao ponto de as forças do regime só durante o dia 25, já muito tarde, terem descoberto onde era o Posto de Comando e o país o ter sabido na manhã de 26, quando ali se realizou a primeira conferência de imprensa da Junta de Salvação Nacional."

sábado, 24 de abril de 2010

A verdadeira história da senha do 25 de Abril de 1974

A verdadeira história da senha do 25 de Abril de 1974, revelada em texto de Carlos Albino, pelo Diário de Notícas de 24 de Abril de 1999
O acontecimento menos conhecido de todos é o da combinação da "senha" difundida pela Rádio Renascença para a saída das tropas dos quartéis no próprio dia 25 de Abril de 1974. A sua escolha fez-se no bairro de alvalade, onde tinha igualmente a sede a empresa radiofónica que emitia programa "Limite" que pôs no ar a célebre canção "Grândola Vila Morena


Regência de estúdios em 1974 com o técnico da Renascença. Era fundamental assegurar a continuidade de emissão. Foi o que aconteceu


Era meia-noite, 20 minutos, 19 segundos


Passaram 25 anos desde aquele momento em que eu e o Manuel Tomás nos vimos directamente comprometidos e cúmplices conscientes na senha para o arranque simultâneo dos militares que decidiram acabar de uma vez por todas com uma ditadura que matava o País com uma morte que não se via. Durante este tempo todo, os únicos responsáveis directos pela execução e transmissão da senha têm assistido ao mais lamentável desfile de vaidades por parte de gente e até de forças políticas que indevidamente têm querido apropriar-se desse gesto. E o que é mais lamentável é que, tendo este País tantos historiadores, quase nenhum destes quis acertar com a verdade sobre factos recentes e autores vivos. Em matéria de senhas do 25 de Abril, tem havido para cada um a sua senha.

Otelo é que, no fundamental, tem dito sempre a verdade no seu legítimo ponto de vista de comandante operacional do 25 de Abril. E, diga-se, também pouco mais interessará do que esse ponto de vista, pelo que os responsáveis efectivos pela execução e transmissão da senha jamais ao longo destes anos tentaram meter-se ou insinuar-se nessa área em que Otelo fala por direito próprio, como também, depois que foi comunicada e confirmada em definitivo a senha escolhida pelo Movimento, jamais incomodaram os militares operacionais com questões que apenas passaram a fazer parte da responsabilidade de quem, independentemente do risco (ao lado do local da emissão da senha estava o Governo Civil, pejado de polícia de choque, e em linha de vista a própria sede da PIDE), assumiu o firme compromisso de a transmitir e no momento exacto. Foi o que aconteceu e também isto foi importante.

Ora, a partir do momento em que ficou assente que para o arranque do movimento militar seria necessária uma senha transmitida através de uma estação de rádio com efectiva cobertura nacional, as escolhas não eram muitas. Uma das escolhas seria o Rádio Clube Português, que haveria de ser pensado para posto de comando do Movimento após ocupação militar das instalações, e transmitir previamente uma senha por aí seria uma imprudência de toda a ordem. Outra escolha possível seria a antiga Emissora Nacional, mas não se via lá dentro alguém com capacidade de intervenção e iniciativa para actuar àquela hora ou mesmo a qualquer outra hora, pois os democratas nessa altura não abundavam por lá. Restava a Rádio Renascença e dentro desta o "Limite", um programa independente que, pelo aluguer de instalações e antenas para as suas emissões, pagava por mês o equivalente em moeda actual a 4500 contos

O programa, à data da preparação final do movimento militar, tinha no núcleo duro dos seus decisores Marcel de Almeida (um amigo de longa data de Melo Antunes), Leite Vasconcelos e Manuel Tomás (vindos de Moçambique com indesmentivel currículo de democratas) e o signatário.

Como não acontecia com qualquer outro programa de rádio, o "Limite", que era transmitido em directo, era alvo de duas censuras: uma que era a da própria Rádio Renascença e a outra a oficial, exercida por um coronel cujo nome neste momento não me ocorre mas de que conservo as garatujas de assinatura, instalado na Renascença exclusivamente para actuar sobre o "Limite" (por tanto recebia o equivalente hoje a 300 mil escudos, quantia obtida através do aumento do aluguer das antenas ao "Limite" - ou seja, o programa pagava indirectamente ao seu próprio censor...

E quanto aos célebres Emissores Associados de Lisboa, o que era isso? Essa rede de fracos emissores mal se ouvia em Lisboa (nas zonas baixas da cidade a sintonia era impossível). Seria impensável a transmissão de uma senha para todo o País através dos Associados. O sinal que consistiu em E depois do Adeus serviu e bem como primeiro toque para uns poucos operacionais e, diga-se já agora, serviu também para quem no "Limite" estava com aviso.

Mas por aí houve uma fase em que toda a gente corria para as senhas de Abril, para os símbolos de Abril, para as condecorações de Abril, para os heróis de Abril, e no meio de tanta distracção chegou a dizer-se que o sinal dos Associados serviu para todo o País, pouco faltando para se garantir que quando o Paulo de Carvalho apresentou tal canção para o concurso televisivo já o tinha feito a pensar no MFA, na noite do 25 de Abril, na libertação dos presos políticos, no fim da censura e no termo da guerra colonial. Que José Afonso assim já pensasse (e de há muito) quando escreveu, cantou e gravou a Grândola, não duvido.

Mas devo dizer, agora que passaram 25 anos e no que está relacionado com o que me pediram, que apenas dois civis tiveram conhecimento do processo que culminaria com a senha do 25 de Abril: Manuel Tomás e quem dá testemunho nestas linhas. Álvaro Guerra foi um precioso elemento de ligação e naturalmente que não foi ouvido nem achado para a execução da senha; Leite Vasconcelos, que no seu dia de folga deu a sua voz a tudo o que tinha que ser dito nos exactos 11 minutos de duração do bloco previamente submetido às censuras; o estagiário de locução que estava na cabine (não quero dizer o nome antes que o encontre porque é um dos que têm andado para aí a mentir) estava longe de imaginar o que se iria passar e nada justificava que se lhe dissesse o que estava em jogo; a regência de estúdios onde em todo o caso poderia ser interrompida a emissão caso tivesse ocorrido alguma denúncia, estava debaixo de olho. Mas, acima de tudo, devo aqui testemunhar que o Manuel Tomás, para além de uma lealdade total, foi uma peça-chave para o êxito da pequena coisa que foi pedida - a senha.

A caminho do limite

22 de Março. Informação inicial sobre a inevitabilidade de uma senha por rádio com efectiva cobertura nacional para o arranque dos quartéis.
29 de Março. Ensaio no Coliseu (festival da Casa da Imprensa) sobre a aceitação de Grândola. O festival foi gravado e transmitido em diferido pelo Limite.

23 de Abril, fim de manhã. Álvaro Guerra é o elemento de ligação com Carlos Albino, a quem pede a transmissão da canção Venham mais Cinco no Limite de 25 de Abril. Carlos Albino pede a Álvaro Guerra para devolver a resposta de que tal canção estava proibida pela censura interna da Renascença embora a censura oficial a tolerasse. Sugeridas alternativas, entre as quais Grândola.

24 de Abril, 10 horas. Álvaro Guerra novamente serve de elo de ligação de Almada Contreiras com Carlos Albino, a quem comunica a escolha definitiva de Grândola Vila Morena como senha para o movimento militar. Carlos Albino garante a transmissão.

24 de Abril, 11 horas. Carlos Albino adquire na então Livraria Opinião, a Madeira Luís, o disco "Cantigas de Maio" para garantia. Desde Dezembro de 1973, havia indícios de que a PIDE preparava o assalto dos escritórios do Limite, na Praça de Alvalade.

24 de Abril, 15 horas. Encontro decisivo com Manuel Tomás, para a execução da senha e garantia de transmissão face às duas censuras que o Limite enfrentava: a da Rádio Renascença e a oficial (um coronel que acompanhava as emissões em directo e visava previamente os textos). Carlos Albino e Manuel Tomás decidem sair dos estúdios para um local onde possam prosseguir com segurança o diálogo.

24 de Abril, 15 e 30. Ajoelhados na Igreja de S. João de Brito e simulando rezar, Carlos Albino e Manuel Tomás combinam todos os pormenores técnicos da senha.

24 de Abril, 17 horas. Leite Vasconcelos (em dia de folga na locução do Limite) é convocado por Manuel Tomás para "gravar poemas". Carlos Albino escreve textos para serem visados pelo censor.

24 de Abril, 19 horas. Censor autoriza textos e alinhamento.

24 de Abril, 20 horas. Na Renascença, gravação dos textos por Leite Vasconcelos, desconhecendo o objectivo.

25 de Abril. Aos 20 minutos e 19 segundos, arranque da fita com a senha. Carlos Albino e Manuel Tomás retiram-se da Renascença às 3 e 30.

Que vasta galeria de falsos heróis

A senha, com as características com que foi pedida (leitura da primeira quadra de Grândola, transmissão integral da canção e repetição da quadra inicial), era à partida de difícil execução e transmissão num programa que estava debaixo de duas censuras: uma, relativamente tolerante e até em certos momentos pactuante, montada pela Renascença, e outra, braço directo da censura oficial a actuar exclusivamente sobre o Limite.

É lícito recordar isto, pois não são poucos os que têm procurado fazer a contrafacção da senha, chegando a pôr em causa a palavra e a própria dignidade pessoal das duas únicas pessoas (e não mais) que têm a ver directamente com o caso.

Em todo o caso, a leitura das quadras (independentemente de a canção de José Afonso ser permitida) e só pelo facto de ser uma leitura suporia sempre passagem pela censura que chegou a impedir que fizéssemos momentos de silêncio (as brancas como se diz na gíria da rádio). Ninguém hoje pode imaginar a dificuldade que era a de fazer rádio em directo como nós, os do Limite, fazíamos. Era aliás a nossa razão de existir na rádio.

Como é que as dificuldades foram contornadas, com a máxima garantia de que a transmissão da senha não seria interrompida, abortada ou substituída por outro material? Todos os cuidados eram poucos, pois não se passava só connosco - a PIDE conseguia instalar informadores em tudo o que fosse sítio. O Limite não poderia ser uma excepção só por ser Limite.

Como dois a pensar funcionam melhor do que um só, o Manuel Tomás e eu (ajoelhados na Igreja de S. João de Brito, local fantasticamente protegido para conspiração de tal tamanho, pois até o facto de o pároco ser então o antípoda dos progressistas ajudava a que o local obrigasse a PIDE a grandes cuidados), a senha ficou combinada nestes termos: eu escreveria dois poemas para justificar a chamada a serviço do Leite Vasconcelos, que estava em dia de folga, os textos seguiriam para o censor, o Manuel Tomás, segundo um alinhamento combinado, faria a engenharia final da peça, no domínio estético e técnico. Este modo de actuação não daria grandemente nas vistas: o Limite assentava na sua maior parte sobre textos poéticos meus lidos sempre, àquele época, pelo Leite de Vasconcelos e trabalhados também sempre segundo os belíssimos esquemas que somente a sensibilidade artística de Manuel Tomás conseguia nas circunstâncias em que trabalhávamos.

Assim foi.

O alinhamento foi redigido, em resumo: quadra, canção Grândola, quadra, poema Geografia, poema Revolução Solar e para finalizar a canção Coro da Primavera.

Os censores (da Renascença e o coronel) viabilizaram os textos sem hesitações: a "geografia" falava dos rios portugueses e a "revolução solar" falava de planetas e galáxias... Para eles, isto não tinha "política". Viabilizados, os textos foram lidos pelo Leite de Vasconcelos e gravados a seco, sendo pouco depois trabalhados sonoplasticamente pelo Manuel Tomás. O bloco ficou com 11 minutos, o que era habitual no Limite. Tudo se fez como se tudo fosse o mais normal. O que não tem sido normal é o aproveitamento que nestes 25 anos se tem feito da senha.

Vou esforçar-me para não dizer nomes, pois estamos em época de concórdia, mas recordo que surgiu um e garantiu que escolheu comigo o disco da senha. Não escolheu nada. Surgiu outro e garantiu que a senha foi o Depois do Adeus - e bem se viu o triste espectáculo e as tremendas confusões que fizeram nas comemorações do 25 de Abril que decorreram em Santarém. Ora isso não foi senha, por amor de Deus!

Outro que nem era do Limite deixou-se filmar para um alegado documentário sobre a senha que percorreu o Alentejo, sendo aqui recebido como herói. Não era. E outro que até era do Limite - não resisto a citar Leite de Vasconcelos - deixou-se filmar pelo musicólogo Fernando Matos Silva para alegada "reconstituição do cenário". Não era. A voz foi dele, mas ele estava longe do estúdio e mais longe ainda do que a senha significava.

Reportagem no ar sem hesitação

As primeiras reportagens sobre o 25 de Abril e o que estava a acontecer nas ruas da capital, solicitadas como serviço a Adelino Gomes, a quem foram disponibilizados meios profissionais adequados, foram transmitidas por responsabilidade do Limite.

Os noticiários da Renascença até 27 de Abril continuaram com reservas sobre a queda da ditadura e ninguém esperava que o MFA fosse ocupar o Rádio Clube Português para mandar fazer reportagens... A Emissora Nacional dava música clássica e quanto aos Emissores Associados, ninguém ouvia nem podia ouvir isto.

Os primeiros debates políticos com intenção deliberadamente pluralista aconteceram no Limite. Mas também todo este sonho acabou no dia 8 de Junho de 1974, após a transmissão da primeira entrevista com Arnaldo Matos (na presença de Fernando Rosas, o historiador deve recordar bem a cena) e depois de terem sido ouvidas personalidades dos mais diversos quadrantes.

A Renascença acabou com o Limite trocando-o pelo efémero "Voz dos Trabalhadores" decidido em plenário, onde também ninguém se solidarizou com as circunstâncias que ditaram o fim do contrato firmado entre o Limite e a Renascença.

Não foi difícil perceber que a colisão frontal entre o Limite e a administração da Renascença de então resultou do facto de se ter usado a estação para a transmissão da senha. Até hoje, ao que se saiba, nunca a estação assumiu como ponto de honra o facto de ter acontecido nessa casa o gesto que significou a mudança radical da vida portuguesa, pois, se o fizesse, dificilmente poderia evitar a alma do Limite que tem todos os motivos para descansar em paz.

Até ao último momento da existência do programa ninguém compreendeu como a Igreja perdeu uma oportunidade excelente para, logo em 1974, sair da sexta-feira pouco santa da ditadura para decididamente entrar no dia de ar livre da ressurreição que começou a ocorrer apenas passados anos, limitada e tardiamente.

Digamos que sobre o Limite caiu uma espécie de maldição impensável e da qual, por certo, nestas páginas de alguma forma se livra tendo sido necessário deixar passar estes 25 anos para que se diga à vontade o que jamais pode ser entendido como defesa de causa própria. Na verdade, algo de fundamental para a Revolução do 25 de Abril faz parte do património disso que hoje é já mera lembrança e simples recordação, mas que para aquela grande parte de uma geração a entrar nos 40, 50 e 60 que não perdeu ou não quis perder a memória, continua a ser a evocação suave de uma deliberada cultura de sensibilidade e da fragrância de um perfume com as possíveis palavras rasgadas nas noites de terror.

Não se está a sugerir o descerramento de uma placa à entrada da Renascença, nem outra coisa qualquer. O que se sugere é que já era altura de a Renascença assumir o Limite como facto importante da sua biografia, como altura é dos historiadores e candidatos a isso serem mais rigorosos e precisos, quanto a nomes, horas e formas. Sobretudo, ouvindo quem fez sobre o que fez.


PRÉMIO. O último Limite acabou em 8 de Junho de 1974. Foi a suprema censura

Texto visto na Escola Básica do 1º Ciclo de Trouxemil

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Reescrever o 25 de Abril de 1974




À media que nos distanciamos do dia 25 de Abril, de 1974, aqueles que vivenciaram esses tempos, compreendem o afã de muitos em quererem reescrever a história, com o objectivo de ajustar velhas contas familiares e/ou tentarem reverter para eles, as benesses que criticam "alguns" terem usurpado desde aí

Para recrearem esse acontecimento, ou o impacte da hipotética ausência do mesmo no presente, engalfinham-se em montanhas de mensagem documentais, muitas delas enviesadas, depositadas em espirrantes poeirentas bibliotecas, responsáveis por fortes reacções alérgicas, quando não anafiláticas.

Os pretensos investigadores, com o esforço empregue em insolúvel pesquisa, tresandando em fétido suor, finalmente, para que o trabalho seja masturbado nos meios académicos, procedem ao “minucioso” trabalho de crítica e interpretação.

Muitas vezes esse afã é parido em obra impressa, para um perfil de mercado tipificado, multiplicadas as autorias sobre o mesmo tema, à medida que a memória morre.

Alguns até são premiados em dia de Camões, alternam consoante a ideologia política do medalhante de serviço.

Apesar de muitos investigadores, empregarem coerentemente as diversas tipologias do método histórico, quase sempre, o que se pretende atingir, são objectivos perversos.

Em todo o caso, nunca os diversos autores conseguirão reproduzir e interpretar totalmente a realidade: a temperatura do ar, os cheiros, a luminosidade, o vento, em suma não mergulharam no rol de informações sensitivas captadas pelos actores sociais desses momentos, não estavam no estádio.

Ouviram somente a segunda parte do relato pela "Antena 1"

quinta-feira, 22 de abril de 2010

PS quer obrigar médicos a optar entre público e privado

Socialistas levam a plenário medidas contra corrupção. Entre elas, um ataque às acumulações dos médicos.


"No pacote legislativo anticorrupção, que hoje sobe a discussão no plenário da Assembleia, o PS incluiu um projecto de lei cujo conteúdo, sendo aprovado, tem potencial para abrir um conflito com uma das mais influentes classes profissionais, a dos médicos.

O projecto, com um título extenso que esconde o seu verdadeiro alcance ("Altera o regime de vinculação de carreiras e de remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas, no capítulo referente às garantias de imparcialidade"), determina que para os trabalhadores do Estado a exclusividade de funções passa a ser a regra - e a acumulação de funções públicas com funções privadas passa a ser considerada uma excepção, só aceite com autorização superior.

O projecto é, evidentemente, de carácter genérico e abstracto, mas sabe-se que uma das profissões onde mais ocorrem acumulações entre funções privadas e funções ao serviço do Estado é a dos médicos. Doravante, um médico que aceda à profissão e decida acumular um lugar no Serviço Nacional de Saúde com um lugar num consultório privado só o poderá fazer tendo luz verde do seu superior no SNS.

O articulado socialista, segundo explicou ao DN um dirigente da bancada, não se aplica às situações de acumulação que já existam, mas apenas às que venham a surgir depois do diploma entrar em vigor (60 dias depois de publicado no Diário da República). Também atingirá outras profissões, claro, como, por exemplo, os engenheiros que são funcionários de câmaras municipais mas, ao mesmo tempo, assinam a título privado projectos de engenharia em autarquias vizinhas (seria o caso de Sócrates nos anos 80, na Covilhã e na Guarda).

O PS afirma no preâmbulo que o projecto surgiu "respondendo às preocupações que foram transmitidas [na comissão parlamentar anticorrupção]", com "particular destaque o depoimento do inspector-geral da Administração Local". Este levou aos deputados "a constatação de que as situações de acumulação de funções públicas com funções privadas são de molde a suscitar, amiúde, zonas de conflitualidade de interesses".

E "assim - lê-se ainda no articulado socialista - onde antes se lia que a acumulação era a regra, comportando excepções, passar-se-á a percepcionar que a exclusividade é que é a regra, admitindo, porém, excepções que se justificarão sempre à luz do interesse público".

A proposta vai ser votada na generalidade, descendo para apreciação da comissão. Só aí se perceberá se tem apoios para passar."

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quarta-feira, 21 de abril de 2010

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