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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Com a verdade me enganas: segundo episódio



Dinheiro de luvas terá ido parar ao PSD

PJ acredita que ex-responsáveis e partido beneficiaram de um milhão. Falta apurar rasto final de verbas no BPN.

A Polícia Judiciária (PJ) suspeita que os ex-administradores dos CTT Carlos Horta e Costa e Manuel Baptista, bem como o PSD, terão beneficiado de um milhão de euros em notas resultantes de luvas por negócios ruinosos.

A investigação do caso “CTT” está dada como concluída pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da PJ e foi remetida ao Ministério Público. O processo terminou com 52 arguidos no total. Em causa estão crimes de corrupção, administração danosa, tráfico de influência, fraude fiscal, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e prevaricação.

De acordo com informações recolhidas pelo JN, a confirmação das suspeitas mais graves dos inspectores da PJ, nomeadamente relacionadas com eventuais subornos recebidos por responsáveis da empresa e políticos, estão dependentes do termo de diligências de investigação junto do BPN. Falta saber, concretamente, qual o rasto final de um milhão de euros em dinheiro vivo.

Carlos Horta e Costa, Carlos Encarnação, Paulo Pereira Coelho – este ainda não constituído arguido – e Paulo Miraldo são alguns dos destacados militantes do PSD aos quais são imputados crimes. Cabe ao DIAP do Ministério Público de Lisboa concluir diligências e decidir pela acusação.
O processo incide sobre eventual prática de crimes de administração danosa, pelo menos, pelos membros da administração dos CTT em funções entre 2002 e 2005: Carlos Horta e Costa, o presidente, e Manuel Baptista, Luís Centeno Fragoso, Gonçalo Leónidas da Rocha e Vera Patrício Gouveia, administradores.

Estes responsáveis estão indiciados por terem posto em causa os interesses patrimoniais daquela empresa pública, nos 23 actos de gestão (ver ficha com exemplos na página seguinte) investigados pelos inspectores da UNCC, ao proporcionarem vantagens alegadamente ilegítimas a empresas privadas, gestores e vários políticos, sobretudo do PSD.

Os negócios centrais do inquérito são a alienação de dois edifícios pelos CTT (ver texto ao lado), em Coimbra e Lisboa. E foi a venda do imóvel de Coimbra – que a empresa compradora revendeu no mesmo dia com cinco milhões de euros de lucro -, a originar o maior número de ilícitos.

Neste caso, foram apurados factos que indiciam a prática de crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais, por parte de uma dezena de empresas e cerca de 20 indivíduos, como Paulo Miraldo e Carlos Godinho, outro militante do PSD, e o empresário Artur Albarran. Este, porém, não chegou a ser constituído arguido, supostamente por não ter sido encontrado pelas autoridades. As duas escrituras de compra e venda do prédio de Coimbra foram feitas na Batalha, localidade onde, no mesmo dia, os administradores da empresa do grupo TCN que comprou o edifício aos Correios, Júlio Macedo e Pedro Garcês, levantaram um milhão de euros em numerário.

A PJ suspeita que parte desse dinheiro terá sido destinado a Manuel Baptista e Carlos Horta e Costa, pelo facto de ter apreendido documentos onde aparecem valores atribuídos às iniciais "CHC" e "MB", mas também a "Amigos CTT" e a "Leões". Os dois administradores são conhecidos sportinguistas. Contactado pela Lusa, o antigo administrador dos CTT, Carlos Horta e Costa, diz desconhecer os indícios que lhe são imputados.


Fonte: Jornal de Notícias de 08.07.2009

domingo, 28 de junho de 2009

A propósito da data das eleições legislativas

Pessoalmente e sem me prender a tácticas partidárias de circunstância*, concordo com a realização em datas separadas das eleições, respectivamente, autárquicas e legislativas (agora, já se sabe, estas últimas em 27 de Setembro).

Acho que no balanço entre as duas opções que se têm prefigurado e que suscitaram a discussãozinha em curso, haverá mais a ganhar separando-se os respectivos actos. Não creio que o argumento da despesa pública seja assim tão relevante (nomeadamente, no contexto dos crónicos desperdícios ou gestão financeira não muito transparente em que a res publica permanentemente vive), sobretudo, se pensarmos que poderá estar em causa a clareza do debate político. Mas, mais do que isso,

mais do que o argumento de que os eleitores poderão confundir-se debatendo-se com 3 boletins nas câmaras de voto (em muitos casos até será mesmo verdade, exponenciando os votos equivocados, brancos ou nulos), há a questão de não confundibilidade de debates e de estratégias políticas. A lógica e a abordagem local/autárquica implica outro tipo de debate (até mesmo, menos ideológico), diferente daquele que se levanta previsivelmente no âmbito de uma campanha para o Parlamento (no nosso sistema, indirectamente, para o governo do Estado). Essa confundibilidade - podendo acontecer - não seria boa para o funcionamento do próprio sistema político (não é que ele já seja lá muito bom, mas, enfim….).

Mas haveria ainda um risco que poderia potenciar-se e que, caso se concretizasse, seria francamente mau: o risco de se secundarizar a eleição autárquica e, consequentemente, a lógica democrática e a legitimidade do funcionamento do poder local.

Dito isto, teria sido muito mais razoável e lógico juntar-se as legislativas com as eleições europeias. As “águas” são (mais ) natural e perceptivelmente separáveis! Não o quiseram fazer e agora, muitos dos que invocam por razões táctico-partidárias a suposta vantagem em se acoplar as autárquicas com as legislativas, com certeza que estarão a pensar que bom, mesmo bom, teria sido seguir-se aquela opção europeias/legislativas…. Ai se se soubesse o que se sabe hoje!

* Até mesmo porque me parecem todas essas tácticas muito aéreas, muito fundadas no espírito sondagístico… O elan do PSD, mais do que resultante de artificiosas previsões, fundadas em pressupostos também eles muito elaborados racionalmente, assenta (ou então, não será um elan suficiente) num estado sociológico e num sentir “intuitivo-político” das populações e dos eleitores, que penalizam José Sócrates.

Retirado do http://blasfemias.net/

Assim teremos, eleições legislativas a 27 de Setembro e autárquicas a 11 de Outubro.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Com a verdade me enganas: primeiro episódio


Só se eu estivesse cega ou fora deste mundo é que não acharia que há um Sócrates antes e outro depois das eleições”. “Numa coisa, seguramente, o meu programa vai-se distinguir daqueles que é costume apresentar ao país, é que não tenciono fazer nenhuma promessa que não tenciono cumprir, não tenciono mentir aos portugueses”, afirmou Manuela Ferreira Leite.

Não ficando indiferente a estes remendados princípios éticos, vindo de quem vem, Mestre Finezas irá recordar periodicamente, socorrendo-se de algumas notas publicadas na imprensa, a actividade política de Ferreira Leite, enquanto militante e dirigente do PSD, membro de anteriores governos e agora, mais recentemente, enquanto candidata a Primeira-ministra.

O Mestre Barbeiro também não irá deixar no esquecimento, alguns lobos bem conhecidos de recentes andanças políticas, sufocados com o calor das suas novas vestes de pele de cordeiro por tosquiar.

Assim, periodicamente, debaixo de imenso calor, será avalido se na política, tal como no futebol, o que hoje é mentira, amanhã é verdade e vice-versa.

Comecemos então com a primeira extracção: em Janeiro de 2008, Ferreira Leite defende privatização da saúde e da educação >>>

..."Questionada depois pelos deputados do PSD sobre as funções do Estado, Manuela Ferreira Leite respondeu que começaria por privatizar «aqueles sectores em que os privados já estão, como a saúde a educação».
«São dois sectores em que não vejo porque é que o Estado não se retira», disse, referindo que «antes pelo contrário, [o Estado] cada vez está a entrar mais».

A social-democrata assinalou que «os privados já lá estão», na saúde e na educação, e ressalvou que «deve haver regulação de forma a não permitir que as leis do mercado alterem as necessidades sociais».

Na sua opinião, «tudo o que é empresas públicas, sector empresarial, não há nenhum motivo para estar com o cunho público»....

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Boquiaberta quando implicitamente acusada de "perseguidora do défice"

Findada uma semana desde a entrevista de José Sócrates na SIC e de uma aguardada entrevista de Manuela Ferreira Leite, eis que o resultado é o esperado. Pouca argumentação, muita acusação ao governo actual e muita cara de pau!

Manuela Ferreira Leite, liderando o partido que julga ter dado uma lição ao PS nas europeias, e que por isso ganhou uma confiança sustentada não se sabe bem em quê, dá-se ao luxo de afirmar que não tomaria nenhuma opção quanto a grandes investimentos pois em tempos de crise não se investe. Enorme contra-senso que, diz a senhora, ser sustentado por qualquer economista de bom senso.

Mas depois aquilo bem espremido pela jornalista lá percebemos que não se importaria de pagar as indemnizações que adviriam do adiamento/cancelamento da obra TGV, que o aeroporto poderia começar e quanto à 3ª travessia sobre o Tejo não se percebeu bem. E, melhor(!), que se deveria reformular a rede de caminhos de ferro nacional e criar novas linhas, coisa que tem vindo a ser feita (mas pronto, aqui desculpa-se esta afirmação pois notou-se claro desconhecimento do assunto que se tratava), e que a barragem de Foz Côa devia ter avançado e que o mau feitor foi Guterres, e mais umas quantas coisas sobre o seu desconhecimento do tipo de investimentos que estão em curso.
E ficou boquiaberta quando indirectamente a jornalista a lembrou do seu rótulo, de há muito, de "perseguição do défice". Mas que infâmia tão grande! Nunca tentar fechar o país ao desenvolvimento e ao investimento para recuperação da economia...(MFL ainda esboçou um dos seus sorrisos marotos..)

Manuela F.L. disse muito sobre o que não se devia fazer, mas pouco ou mesmo NADA sobre o que se poderia fazer, como resolver esta crise, a crise mundial, como resolver os assuntos que ocupam hoje o estado, o endividamento, a dependência externa energética (sobre os investimentos feitos pelo governo nas energias renováveis...), etc..

Demagogia também marcou esta entrevista. Diz que para resolver o problema do endividamento não aumentaria impostos, mas ao mesmo tempo também não se opõe às acções sociais do actual governo. Ora coloca-se-me uma questão:
Como combateria o endividamento sem aumentos dos impostos e sem terminar com as acções sociais já lançadas pelo governo PS com as quais concorda??
Fala de uma "política diferente e melhor", mas nada explicou, nada elucidou sobre o que se trata afinal esta política que se diz altamente diferente da de Sócrates.

Falta de ideias e pouca transparência são características desta espécie de líder que pouco sabe e pouco diz.

B. Borges

Retirado do http://alcacovas.blogs.sapo.pt/



sexta-feira, 12 de junho de 2009

Blogue da Candidatura Bengalinha Pinto: O Quarto Post

Resultados Eleitorais - Europeias

Como todos sabemos, muito já foi dito nestes dias sobre os resultados das eleições para o Parlamento Europeu. Muitas análises eleitorais já foram elaboradas, umas mais objectivas outras nem tanto. Já vi alguns textos em que derrotas são transformadas em vitórias morais, bem como outros em que meias vitórias (ou meias derrotas) são transformadas em vitórias até à eternidade…
Não pretendo de modo nenhum, agora aqui, fazer análises eleitorais, nem tão pouco estabelecer comparações entre as várias eleições deste ano. Os resultados foram claros e em meu entender mostram o descontentamento dos portugueses face ao executivo governamental actual. Espero que estes resultados sirvam de exemplo a quem tem o poder de decisão, para que sejam introduzidas alterações que de alguma forma tragam aspectos positivos e melhoria de qualidade de vida para todos nós.

Como todos já devem conhecer os resultados no nosso concelho, optei por colocar um quadro com os resultados eleitorais do nosso distrito. A perspectiva é mais abrangente e assim um pouco mais difícil de rebuscar as tais “conclusões lógicas” (em minha opinião, claro)…

Apesar dos resultados eleitorais nestas eleições europeias serem desfavoráveis ao partido que apoia esta candidatura, consideramos que o nosso projecto – ganhar as eleições autárquicas no concelho de Viana do Alentejo - não é afectado por esses resultados, tendo em conta a especificidade de cada um dos referidos actos eleitorais.
Deste modo, esta candidatura mantém o mesmo objectivo inicial com a mesma determinação e empenho.

Publicado por Bengalinha Pinto, Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

http://unidos-com-bengalinha.blogspot.com/


quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Caciquismo permanece vivo, 35 anos depois do 25 de Abril

"Instruções Internas do PCP publicadas ontem no Diário do Sul "

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Eleições para o Parlamento Europeu
Domingo das Eleições
Camaradas

O dia das Eleições começa logo de manhã pelas 8h00, para se verificar se em cada Freguesia tudo corre dentro da normalidade, é pois necessário que em cada Concelho o camarada responsável pelas eleições, esteja activo e contactável e intervenha para em termos de direcção dar apoio. Sendo necessário definir em cada Freguesia tenha um dos delegados para onde possa telefonar para obter informações..

O responsável concelhio informa até às 17h00 de dia o6/06/009, para o pcp em Évora telef. 2666760660, Fax 266760669, email
pcp.dorev@iol.pt João Pauzinho 964400771 ou email joaopauzinho@hotmail.com com o nome e o telemóvel do camarada de cada concelho responsável pelo acto eleitoral.

É necessário ter uma intervenção activa com os cadernos eleitorais
, para garantirmos que os eleitores vão votar e em particular aqueles que estão mais próximos de nós. Assegurar que os militantes do Partido e os apoiantes da CDU vão votar. Assegurar que as juntas de Freguesia tem os serviços montados para uma resposta imediata aos cidadãos, não ter uma postura reactiva, antes pelo contrário ser activa, é preciso assegurar isso durante esta ultima semana, para que no domingo nada falhe.

Cada concelho deve preparar o seu trabalho para dar uma informação, ás 11h00 sobre indicadores de votação, através dos telefones acima indicados e depois ás 14h00 e ás 17h00.

Após o encerramento das mesas de voto, o delegado do PCP, deve informar o Partido sobre os resultados da votação da sua mesa de voto, deve ser dado a cada delegado o nº de telefone acima referido. Estes dados são fornecidos antes dos mesmos irem para o Governo Civil.

A Comissão Eleitoral”


terça-feira, 2 de junho de 2009

Morreu o cavaquismo

Entre mais-valias na carteira de acções do professor Cavaco Silva e o solilóquio de Oliveira e Costa no Parlamento, morreu o cavaquismo. As horas de aflitivo testemunho enterraram o que restava do mito. Oliveira e Costa e Dias Loureiro foram delfins de Cavaco Silva. Activos, incansáveis, dinâmicos, competentes, foram para Cavaco indefectíveis, prestáveis, diligentes e serventuários.
Nas posições que tinham na SLN e no BPN estavam a par da carteira de acções de Cavaco Silva e família. Os dois foram os arquitectos dos colossais apoios financeiros que nas suas diversas incarnações o cavaquismo conseguiu mobilizar logo que o vislumbre de uma hierarquia de poder em redor do antigo professor de Economia se desenhava. Intermediaram com empresários e financeiros. Hipotecaram, hipotecaram-se e (sabemos agora) hipotecaram-nos, quando a concretização dos sonhos de poder do professor exigia mais um esforço financeiro, mais uma sede de campanha, mais uma frota de veículos para as comitivas, mais uns cartazes, um andar inteiro num hotel caro ou uma viagem num avião fretado. Dias Loureiro e Oliveira e Costa estiveram lá e entregaram o que lhes foi requerido e o que não foi.
Como as hordas de pedintes romenos, esgravataram donativos entre os menos milionários e exigiram contribuições aos mais milionários. Cobraram favores passados e venderam títulos de promissórias sobre futuros favores. O BPN é muito disso.
Nascido de um surpreendente surto de liquidez à disposição do antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de Cavaco Silva, foi montado como uma turbina de multiplicação de dinheiros que se foi aventurando cada vez mais longe, indo em jactos executivos muito para lá do ponto de não regresso.
Não era o banco de Cavaco Silva, mas o facto de ser uma instituição gerida pelos homens fortes do regime cavaquista onde, como refere uma nota da Presidência da República, estava parte da (…) "gestão das poupanças do prof. Cavaco Silva e da sua mulher", funcionou como uma garantia de confiança, do género daquele aval de qualidade nas conservas de arenque britânico onde se lê "by special appointment to His Royal Majesty…" significando que o aromático peixe é recomendado pela família real. Portugal devia ter sabido pelo seu presidente que a sua confiança nos serviços bancários de Oliveira e Costa era tal que tinha investido poupanças suas em acções da holding que detinha o banco. Mas não soube.
Depois, um banco de Cavaco e família teria de ser um banco da boa moeda. E não foi. Pelo que agora se sabe, confrontando datas, já o banco falia e Cavaco Silva fazia sentar na mesa do Conselho de Estado, por sua escolha pessoal, Dias Loureiro, que entre estranhos negócios com El Assir, o libanês, e Hector Hoyos, o porto-riquenho, passou a dar parecer sobre assuntos de Estado ao mais alto nível.
Depois, vieram os soturnos episódios de que Oliveira e Costa nos deu conta no Parlamento, com as buscas alucinadas por dinheiro das Arábias. Surpreendentemente, quase até ao fim houve crédulos que entraram credores de sobrolho carregado para almoços com Oliveira e Costa nas históricas salas privadas do último andar da sede do BPN e saíram accionistas dos dois mil milhões de bolhas especulativas que agora os portugueses estão a pagar. Surpreendentemente também, o Banco de Portugal nada detectou.
Surpreendentemente, o presidente da República protegeu o seu conselheiro, mesmo quando as dúvidas diminuíam e as certezas se avolumavam, cai o regime. De Oliveira e Costa no Parlamento fica ainda no ar o seu ameaçador: "eu ainda não contei tudo". Quando o fizer, provavelmente, cai o regime. Francamente, com tudo o que se sabe, já não é sem tempo.

Artigo de opinião, publicado no Jornal de Notícias de 01/06/2009


quinta-feira, 28 de maio de 2009

Dias Loureiro dá Aula de Gestão Financeira




quarta-feira, 13 de maio de 2009

Investigadora Traçou Retrato dos Parlamentares Nacionais

"Homem, entre os 40 e os 50 anos, com qualificações superiores, preferencialmente na área do Direito, com estatuto económico-social privilegiado, filiado no partido há longos anos. Este é apenas um esboço do retrato elaborado por Conceição Pequito Teixeira, docente e investigadora do Instituto de Ciências Sociais e Políticas, num novo estudo agora publicado.

Acrescente-se que espera ser reeleito, e para isso cumpre à risca disciplinas, como a de voto, que demonstram a sua lealdade ao partido. Se não se encontra na Assembleia da República neste momento é porque está no Governo, noutro cargo político ou porque aguarda ser incluído nas listas das próximas legislativas.

A autora — que ontem lançou o livro “O Povo Semi-Soberano. Partidos e Recrutamento Parlamentar em Portugal” — tentou traçar o perfil dos candidatos e deputados ao Parlamento nacional desde os anos 70 até 2002, saber como os partidos escolhem as listas que levam às eleições. Como são os órgãos centrais e os líderes nacionais dos partidos — são hoje “autênticas 'empresas políticas’” —, que escolhem os candidatos, optam sempre por pessoas que já estão no partido, mais velhas, habitualmente juristas, funcionários públicos e professores, e com experiência prévia na actividade política.

Metades já foram mesmo deputados, o que demonstra a baixa rotatividade. Entre 1976 e 2002, a taxa de rotatividade baixa da direita para a esquerda: o mais renovador é o CDS-PP (61 por cento) e o PCP é o menos (42 por cento)."


"Profissionais da política

Mas a autora vai mais longe: em vez de serem 'políticos profissionais’, os deputados “tendem a tornar-se cada vez mais 'profissionais da política’, fazendo da sua actividade mais uma 'carreira’ do que uma 'vocação’, encarando-a mais como uma 'colocação’ num determinado cargo do que como um serviço à 'causa pública’, sendo o seu principal objectivo manterem-se na política a todo o custo”.

Por outro lado, para além do recrutamento dos candidatos ser feito a grande distância dos cidadãos, aqueles que os eleitores votam para defenderem os seus interesses no Parlamento acabam por não ser os que depois lá se sentam. Os dados compilados permitem perceber que em média, em cada legislatura, são substituídos cerca de três quartos dos deputados eleitos.

Ou seja, a representação dos cidadãos na magna assembleia é “fictícia e fraudulenta”, acabando por contribuir para a descredibilização dos partidos e dos governos. A solução não estará na mudança da lei eleitoral, mas sim no modo de funcionar dos partidos.

Conceição Teixeira diz que nos últimos 25 anos “muito pouco mudou nos partidos políticos”, que insistem em se manter afastados da sociedade civil. Essa redoma faz com que continue a persistir um certo “antipartidarismo cultural” que, embora sempre tenha estado associado aos cidadãos com menos recursos, de mais idade e de meios rurais, está agora a alastrar às camadas jovens e instruídas.

O défice de confiança nos partidos, que se traduz sempre nos habituais altos níveis de abstenção, poderá ser amplamente testado este ano, diz a investigadora. “Há um claro divórcio litigioso: os cidadãos já não querem nada com os partidos.” >>>

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Maio em Portugal (Lisboa)

"O cabeça-de-lista socialista às eleições europeias foi agredido e insultado durante a manifestação do 1º de Maio da CGTP. Vital Moreira tentava cumprimentar Carvalho da Silva, mas depois acabou por ser agredido por várias pessoas que entretanto se juntaram no local.



O candidato do PS às eleições europeias foi insultado e agredido durante a manifestação do 1º de Maio da CGTP, tendo sido empurrado e cuspido aos gritos de «traidor» e «mentiroso».

Acompanhado de Vítor Ramalho e Ana Gomes, Vital Moreira foi agredido quando pretendia apresentar cumprimentos à direcção desta central sindical.

Em declarações à imprensa, o candidato socialista responsabilizou um «pequeno grupo de pessoas» pelo sucedido e frisou que «obviamente não culpabilizo a CGTP».

Infelizmente há pessoas que 35 anos depois do 25 de Abril ainda não aprenderam o valor da tolerância democrática e da diferença», adiantou Vital Moreira, que disse que nunca se espera uma reacção como esta quando se é convidado." >>>


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